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Corpo de rapariga alemã sequestrada descoberto em quinta junto à sua casa

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O corpo de Anneli foi descoberto na segunda-feira, mas só na terça foi confirmada a sua identidade

ARNO BURGI/LUSA

O corpo da adolescente alemã Annelie-Marie R, que tinha sido raptada na quinta-feira passada junto à sua casa em Meissen, Dresden, foi encontrado esta terça-feira apesar de os pais terem aceitado pagar o resgate exigido

Chegou ao fim a especulação sobre o paradeiro da rapariga alemã raptada na quinta-feira passada. Anneli-Marie R. foi descoberta morta numa quinta, não muito longe de sua casa, dias depois das negociações entre os raptores e a família terem corrido mal.

O corpo já tinha sido descoberto na segunda-feira, mas só esta terça-feira se confirmou a sua identidade e verificou corresponder ao da jovem de 17 anos.

A história de um caso triste

Os raptores não escolheram Anneli ao acaso. Depois de terem raptado a rapariga durante um passeio de bicicleta rotineiro com o cão, não tardaram em contactar os familiares.

Quando ligaram exigiram imediatamente um resgate na ordem de 1.2 milhões de euros à família, revelando estar a par de que a rapariga era filha de um magnata do imobiliário alemão. Nesse contacto a família conseguiu ouvir os gritos de Anneli-Marie R pelo telefone, sabendo que estava viva.

Depois da polícia se ter inteirado da situação, foi estabelecido um “blackout” nos media para não alarmar os raptores. E depressa se descobriu a bicicleta da rapariga e o seu cão, tendo o velocípede sido enviado para análises laboratoriais.

Nessa mesma noite, uma segunda chamada terá chegado ao telefone do pai de Anneli, que a polícia gravou: A família tinha até às 8h da manhã do dia 14 de agosto para pagar a quantia. Um dos peritos em línguas da polícia germânica terá identificado a voz do raptor como sendo de um alemão da zona leste do país.

Os raptores não voltaram a comunicar até às 11h do dia seguinte, sexta-feira. Nessa comunicação, exigiam que a quantia fosse transferida online e aí surgiram os problemas. A verba pedida era demasiado elevada para aquele tipo de transferência e, para piorar a situação, recusaram-se a provar que Anneli estava viva.

Quando a chamada terminou, a polícia desconfiou das palavras dos raptores e presumiu que tivessem matada a rapariga: “O risco era demasiado alto, mataram a rapariga depois daquela primeira chamada e depois tentaram à mesma extorquir o dinheiro à família”, explicou esta terça-feira o porta-voz da polícia, já depois do corpo ter sido encontrado.

Várias pessoas deslocaram-se já ao local onde o corpo foi encontrado para deixar flores e velas acesas pela rapariga

Várias pessoas deslocaram-se já ao local onde o corpo foi encontrado para deixar flores e velas acesas pela rapariga

ARNO BURGI/LUSA

Uma conclusão trágica

Não acreditando que a rapariga estivesse viva, a polícia levantou o “blackout” e pediu a ajuda de toda a gente na região. Um dos vizinhos de Anneli-Marie R disse ter visto um carro BMW a rondar uma quinta local.

Nessa altura, também o laboratório identificou o ADN de um homem com cadastro. As investigações duraram o fim de semana inteiro, levando à captura de dois suspeitos este domingo.

Um era um homem de 39 anos, de Dresden, desempregado e identificado como Tosten S., o outro um vendedor de 61 anos, da Baviera, chamado Stefan B. Os dois homens confessaram parcialmente o crime, sendo um deles cunhado da dona da quinta onde o BMW suspeito tinha passado.

Na segunda-feira, a polícia fez buscas na quinta e descobriu um corpo. E 24 horas depois confirmou tratar-se de Anneli. A rapariga tinha sido morta e abandonada junto a umas árvores, à entrada da quinta.

A polícia continuou a interrogar os dois sequestradores durante terça-feira para aclarar detalhes do crime, falando ainda com a dona da quinta. “Ele tinha as chaves da quinta porque estava a tentar vendê-la e de vez em quando dormia lá, para mostrá-la a compradores; ele ia e voltava da quinta várias vezes, não era estranho. No domingo cheguei mesmo a falar com ele sobre o rapto, mas ele não teve qualquer reação”, disse Margrit B, a dona da quinta e cunhada de um dos suspeitos.

A família de Anneli-Marie R está a ser acompanhada por psicólogos, enquanto várias pessoas se tem deslocado à quinta onde o corpo foi encontrado para deixar velas e flores.