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Setembro quente. Polícias voltam às manifs e anunciam greves de zelo

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António Pedro Ferreira

Paulo Rodrigues, dirigente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia, responsabiliza o Governo pelo factos dos protestos pela não aprovação do Estatuto da PSP coincidirem com a campanha eleitoral. “Quem nos empurrou para este período foi o próprio Governo - esse não é o nosso problema”, diz

Os polícias iniciam a 31 de agosto um mês de ações de protesto, entre as quais manifestações a realizar “um pouco por todo o país#, para dizer ao Governo que não está a merecer a confiança destes profissionais.

A informação foi avançada esta terça-feira pelo dirigente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia/Polícia de Segurança Pública (ASPP/PSP), Paulo Rodrigues, no final de uma reunião em Lisboa com mais três estruturas sindicais, o Sindicato dos Profissionais da Polícia (SPP/PSP), o Sindicato Independente dos Agentes da Polícia (SIAP) e o Sindicato Vertical de Carreiras da Polícia (SVCP).

Em causa está a falta de aprovação das alterações ao Estatuto da PSP com que, segundo Paulo Rodrigues, o Governo se comprometeu há quatro anos e que continua por aprovar. “Tendo em conta que o Governo se comprometeu com os polícias a aprovar estas alterações, que apesar de serem poucas são importantes, e tendo em conta que o Governo está a faltar à palavra, não nos resta outra alternativa senão desenvolver um conjunto de ações de protesto para dizer claramente que o Governo não está a merecer a confiança dos profissionais da polícia”, diz.

“Não é aquilo que é desejável, mas é o possível, e essas alterações são alterações extremamente importantes e é isso que vamos defender", frisa.

Entre estas ações, que coincidem com a campanha eleitoral para as legislativas de 4 de outubro, contam-se manifestações com início do último dia de Agosto e que se prolongarão até ao final do mês de setembro, “em vários pontos do país”, antecipa Paulo Rodrigues. Sobre as ações a realizar, o dirigente da ASPP/PSP diz apenas que serão “acordadas” segundo o que entenderem “ser o melhor protesto”.

Paulo Rodrigues acusa o Governo de faltar à palavra que manteve com os polícias, já que estes foram informados de que a 30 de julho o processo estava fechado, pelo que acreditaram que no final desse mês “havia todas as condições para aprovar” as alterações do Estatuto da PSP.

“É preciso dizer o que de facto está a entravar o processo, é isso que está a faltar, não chega dizer que se está em negociações”, frisa o dirigente da estrutura sindical, a propósito de declarações da ministra da tutela.

Na segunda-feira, em Macedo de Cavaleiros, a ministra da Administração Interna, Anabela Rodrigues, disse que o Governo está a trabalhar na redação dos estatutos das forças de segurança, “em detalhes de redação e também a acertar outros detalhes com outros ministérios”, relativamente às alterações. “A acreditar no comentário da ministra, depois das eleições ainda continua o processo em curso”, deduz Paulo Rodrigues.

O dirigente da ASPP/PSP responsabiliza ainda o Governo por os protestos coincidirem com a campanha eleitoral. “Quem nos empurrou para este período foi o próprio Governo, nós estamos a defender a aprovação do estatuto, independentemente de estarmos em campanha eleitoral ou não - esse não é o nosso problema”, acrescentou.

“O que é importante é que os polícias digam de forma clara que o Governo não é de confiança nesta matéria, que não cumpriu, com os polícias - isso, vamos fazê-lo todos os dias durante o mês de Setembro”, insiste.

A partir dessa segunda-feira, 31 de agosto, as quatro estruturas sindicais da polícia que, segundo Paulo Rodrigues, representam mais de 80% dos polícias, vão também apelar aos profissionais para que “façam mais pedagogia, não façam repressão, ou seja, repressão zero”, se não estiver em causa o maior interesse público ou a vida de qualquer cidadão.

Vamos apelar aos colegas que até final de setembro se cinjam a fazer “mais prevenção ou exclusivamente prevenção”, porque é preciso que os polícias deem um sinal claro de que não podem concordar com um Governo que diz e não faz, que se compromete e não cumpre”, refere.

Questionado pelos jornalistas sobre a possibilidade de serem encetadas ações de luta com a GNR - que também ainda não viu aprovadas as alterações ao estatuto -, Paulo Rodrigues admite ser um “cenário possível”. “Não está posta de lado a possibilidade”, uma vez que haverá conversações com estruturas similares da GNR, admite, mas sublinhando, no entanto, que de momento a prioridade é a PSP.