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Imitador de Batman morre na autoestrada

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Morreu o homem que em 2012 foi captado pelas câmaras de um carro da polícia de Maryland, EUA, vestido tal e qual a personagem de Batman, da banda desenhada. Desta feita, Leonard Robinson foi atropelado pelo seu próprio Batmobile, que tentava reparar

O vídeo mais acima, de 2012, divulgado pelo canal de YouTube da polícia de Maryland, Estados Unidos, mostra um Batman a ser parado, num Lamborghini customizado com emblemas do cavaleiro das trevas, e um sistema de som a disparar a música da série dos anos 60.

Na altura, descobriu-se que Batman não era Bruce Wayne mas um pacato cidadão norte-americano chamado Leonard Robinson, que ajudava crianças e visitava-as no hospital, levando-lhes brinquedos e uma tarde com o super-herói mascarado.

No vídeo em causa, a polícia e Batman entenderam-se e depois de uma inspeção de rotina aos documentos, Leonard-Batman-Robinson pôde ir em auxílio das crianças do hospital.

Porque lhe recordamos esta história? Porque este domingo Batman morreu. O seu Batmobile, o mesmo Lamborghini preto, avariou na faixa rápida da autoestrada. Já sem fato, Leonard Robinson saiu para tentar reparar a avaria mecânica. Pouco depois, um carro desgovernado, em alta velocidade,embateu no seu e arrastou-o atropelado.

Leonard Robinson não sobreviveu aos ferimentos, morrendo no hospital. Ficou conhecido por se mascarar de Batman e ser protagonista de um vídeo viral. Mas a sua vida foi muito mais do que isso.

“Batman” falso, herói verdadeiro

“Batman” falso, herói verdadeiro

AFP/GETTY

Um dia na vida de um imitador de Batman

Em março de 2012, o “Washington Post” seguiu Robinson numa das suas visitas habituais:

Antes da chegada ao hospital, o empresário foi até a uma loja de brinquedos e comprou toda a memorabilia de Batman, meteu-a em sacos com o símbolo do herói e retomou o caminho.

No destino, Leonard-Batman-Robinson tornou-se uma estrela: aos olhos das cianças não havia distinção entre aquele homem mascarado e o herói da DC Comics.

“Nunca vi os olhos de uma criança tão esbugalhados de admiração” relatou Michael S. Rosenwald do “The Washington Post” que acompanhou na altura Leonard na visita. O filantropista sorriu e deu um presente à criança, a todas as crianças no hospital, pedindo para ir ver cada uma delas.

Fotografias, abraços, brincadeiras, presentes: Leonard tinha tempo para tudo e todos, dando uma bracelete especial no fim com o símbolo do herói para dar boa sorte às crianças que continuavam a lutar contra o cancro.

“Vai-te trazer sorte”, dizia confiante às crianças. A resposta vinha sempre dos pais: “Estamos mesmo a precisar”.

Vestido de super-herói pelas crianças

Quando questionaram Leonard sobre porque é que ele se mascarava todas as semanas de Batman para visitar os hospitais de Maryland, o empresário foi sucinto: “Pelas crianças. Tenho dois filhos que nunca tiveram um problema. Tive muita sorte e estas pessoas não”, explicou.

A ideia de se vestir de Batman surgiu da obsessão do seu filho pelo vingador de capa: “Na altura, o meu filho só respondia por Batman. Achei piada e a ideia começou a desenvolver-se. Agora cá estamos.”

O empresário planeava continuar a ajudar e visitar crianças em escolas, hospitais e orfanatos. Pretendia ainda ter uma réplica exata do icónico Batmobile do filme de 1989 de Tim Burton, que estava a ser construído por 225 mil euros. Mas não teve tempo para conduzir o novo veículo e deliciar centenas de crianças.