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“Vive la France”, gritam em Guimarães lesados do papel comercial do BES

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JOSÉ COELHO / Lusa

Frente à dependência do Novo Banco em Guimarães encontram-se três polícias, a que se juntam alguns outros agentes distribuídos pelo Largo do Toural, mas o protesto de três dezenas de manifestantes, sobretudo emigrantes, tem decorrido sem incidentes

Três dezenas de lesados do papel comercial do BES, sobretudo emigrantes, estão desde o início da manhã concentrados frente à agência do Novo Banco no Largo do Toural, no centro de Guimarães, exigindo o reembolso do dinheiro investido.

Ali concentrados desde cerca das 10h, alguns manifestantes envergam t-shirts e cartazes escritos em francês com reivindicações ao Governo e, por entre o som das buzinas e apitos, ouvem-se slogans como “são uns ladrões”, “é uma vergonha” e “vive la France”.

Contactado pela agência Lusa, Luís Marques, dirigente do Movimento dos Emigrantes Lesados (MEL), demarcou-se contudo da organização do protesto, esclarecendo que “qualquer ajuntamento não é da autoria” do MEL mas da iniciativa dos manifestantes, já que o movimento não recebeu as necessárias autorizações por parte da Câmara de Guimarães.

Fonte da autarquia referiu, no entanto, à Lusa que “nada foi proibido”, até porque a organização da manifestação cumpriu todos os requisitos exigidos na lei. “Recebemos um email da Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial (AIEPC) na sexta-feira, às 15h31, que encaminhámos para a Polícia Municipal e para a PSP. Cumpriram-se as 48 horas necessárias”, esclarece a autarquia.

Carminda Lima, 56 anos, natural de Viana do Castelo e emigrante em França desde bebé, disse à agência Lusa ter-se deslocado a Guimarães para protestar contra o facto de ter perdido “uma vida de economias”.

“Os meus pais habituaram-nos a fazer economias e era aqui em Portugal que as deixávamos. O que o banco [Espírito Santo - BES) nos disse é que era um produto garantido”, afirmou, assegurando: “Portugal era o nosso país, mas hoje já não é, por isso trago a bandeira francesa”. Para Carminda, os emigrantes foram “o melhor alvo” do BES, porque era “onde havia muitas economias para ir buscar”.

Devido à manifestação - mais uma das várias que os lesados do papel comercial do Grupo Espírito Santo (GES) têm vindo a protagonizar um pouco por todo o país - a agência do Novo Banco no Largo do Toural não chegou ainda a abrir portas esta segunda-feira.

Frente à dependência do banco encontram-se três polícias, a que se juntam alguns outros agentes distribuídos pelo Largo do Toural, mas o protesto tem decorrido sem incidentes.

O BES, tal como era conhecido, acabou a 3 de agosto de 2014, quatro dias depois de apresentar um prejuízo semestral histórico de 3,6 mil milhões de euros.

O Banco de Portugal, através de uma medida de resolução, tomou conta da instituição fundada pela família Espírito Santo e anunciou a sua separação, ficando os ativos e passivos de qualidade num “banco bom”, denominado Novo Banco, e os passivos e ativos tóxicos, no BES, o “banco mau” (bad bank), que ficou sem licença bancária.

Há duas semanas, o Banco de Portugal anunciou ter recebido uma das três propostas finais revista para a compra do Novo Banco. O Banco de Portugal esclareceu, no entanto, que, apesar de só uma ter sido revista, “as propostas vinculativas recebidas no dia 30 de junho continuam integralmente válidas, tendo sido entretanto objeto de clarificações no âmbito das discussões havidas com cada um dos três potenciais compradores”.

Assim, mantêm-se na corrida à compra do Novo Banco três candidatos: os grupos chineses Fosun e Anbang e o grupo norte-americano Apollo.