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Morreu António de Almeida, presidente da Fundação EDP

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FOTO TIAGO MIRANDA

Foi durante um dos seus mandatos na EDP que a empresa foi privatizada. António de Almeida morreu aos 78 anos, vítima de cancro

Helena Bento

Jornalista

António de Almeida, presidente do conselho de administração da Fundação EDP, morreu na madrugada deste sábado, vítima de cancro. Tinha 78 anos.

“António de Almeida dedicou boa parte da sua vida à EDP: foi presidente executivo da empresa, do conselho geral e de supervisão e, finalmente da Fundação EDP. Em todos estes cargos deixou uma marca de exigência, frontalidade e rigor. Tinha um espírito analítico, uma inteligência sibilina e um sentido de humor único e particularmente incisivo. Até ao fim, apesar da luta constante que travou com a doença, trabalhou incansavelmente, desafiando-nos sempre a pensar nas melhores escolha para a Fundação EDP”, escreveu Miguel Coutinho, administrador e director executivo da Fundação EDP, no site da fundação.

Nascido em 1937, António de Almeida licenciou-se em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto, em 1961. Terminado o curso e o serviço militar, foi viver para Moçambique e durante dois anos (1963-1965) exerceu o cargo de técnico dos serviços de Planeamento de Moçambique. Foi também ali que conheceu Almeida Santos, de quem se tornou amigo. A relação entre os dois foi abordada várias vezes em praça pública. António de Almeida era visto como o "sobrinho" do dirigente socialista, ou o seu "protegido".

Em entrevista a Anabela Mota Ribeiro, publicada em junho de 2008 no Jornal de Negócios, António de Almeida conta que Almeida Santos era muito amigo do pai de um grande amigo seu, e que nele reconhecia "um homem de grande cultura", reconhecimento que, de resto, sempre foi mútuo. "Ele reconhecia em mim algumas ideias, a frontalidade".

Depois de ocupar outras funções em Moçambique, foi vice-presidente do Instituto de Crédito de Moçambique. Depois do 25 de abril de 1974, regressou a Portugal e foi nomeado presidente do Banco de Angola (cargo que ocupou até 1978) e administrador não-executivo do The Bank of Lisbon and South Africa.

Em 1978, estreou-se como governante, ao assumir funções de secretário de Estado do Tesouro no IV Governo Constitucional (Jacinto Nunes era ministro das Finanças e do Plano), cargo que ocupou até 1980 e, novamente, de 1983 a 1985.

Depois de ter sido nomeado presidente da União de Bancos Portugueses (UBP), António de Almeida ocupou a presidência da EDP, entre 1996 e 1998. Foi durante o seu mandato que a empresa foi privatizada. Afastou-se durante algum tempo da elétrica para assumir outros cargos. Voltaria mais tarde, já em 2006, para assumir a presidência do conselho geral e de supervisão e, mais tarde, do conselho de administração da empresa.