Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Moradores de bairros históricos de Lisboa queixam-se de transtornos com filmagens

  • 333

Ocupação do espaço público e licenciamento para filmagens é competência Câmara de Lisboa, que ainda não se pronunciou até ao momento

Moradores dos bairros históricos de Lisboa queixam-se dos constrangimentos causados por filmagens, tendo a Junta de Freguesia da Misericórdia admitido à Lusa que já alertou a Câmara de Lisboa para "um comportamento abusivo de ocupação de espaço público".

A associação Aqui Mora Gente, que representa os moradores do Cais do Sodré e Santos, em Lisboa, apresentou queixa à Junta de Freguesia da Misericórdia, alertando para o estacionamento de carrinhas de filmagens nos lugares dos residentes dos bairros durante todo o dia.

Na Rua do Ataíde e na Rua das Flores, na zona do Cais do Sodré, estão a decorrer filmagens "há mais de uma semana e vão-se prolongar até ao final do mês de agosto", disse a moradora e membro da associação Aqui Mora Gente, Isabel Sá da Bandeira, frisando que "o estacionamento existente já é escasso e com isto os moradores ficam privados de estacionar".

A realização de filmagens acontece "durante todo o ano, no centro histórico, por longos períodos de tempo", referiu a moradora, criticando a falta de alternativas para estacionamento.

Questionada sobre se os moradores recebem alguma remuneração para compensar os transtornos causados pelas filmagens, Isabel Sá da Bandeira admitiu que os prédios que servem de cenário "recebem muito dinheiro", mas que os constrangimentos afetam também os residentes dos outros prédios das ruas contíguas, que "nada beneficiam".

Tal como a maioria dos moradores dos bairros históricos da capital, esta moradora paga uma taxa anual para estacionamento à EMEL - Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa, de "cerca de 70 euros para dois veículos", mas não lhe são apresentadas alternativas para estas situações.

A ocupação do espaço público e o licenciamento para filmagens na capital é competência da Câmara de Lisboa, ao que a Lusa questionou a autarquia sobre a situação, mas até ao momento não obteve resposta.

A presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia, Carla Madeira (PS), esclareceu que "recebe, ocasionalmente, reclamações de fregueses reportando comportamentos abusivos da parte de produtores em filmagens licenciadas".

"A Junta de Freguesia da Misericórdia acompanha essa preocupação e já diligenciou no sentido de alertar as entidades competentes para o que parece ser um comportamento abusivo de ocupação de espaço público", respondeu a autarca numa nota envida à agência Lusa.