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Madrugada "muito difícil" em Mangualde. Dois pelotões do Exército no combate às chamas

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FOTO NUNO ANDRÉ FERREIRA/LUSA

Com o cair da noite, o fogo espalhou-se a mais duas aldeias e tudo se fez para tentar salvar habitações em Cunha Alta e Almeidinha. Advinha-se uma madrugada "muito difícil" mas com o arrefecimento noturno, a Proteção Civil confia na resolução da situação ao nascer do dia

Raquel Pinto

Raquel Pinto

Jornalista

Dois pelotões do regimento de infantaria de Viseu, compostos por 44 militares, estão no combate ao incêndio de grandes proporções que está a consumir o concelho de Mangualde. Foram dois fogos que durante a tarde puseram em sobressalto as populações. Alastraram e acabariam por se juntar num só incêndio ao final da tarde.

"Ocorreram cinco ignições no concelho de Mangualde", disse ao Expresso Miguel Cruz, adjunto de operações do comando nacional. O relógio marca 00h50. E a situação no terreno "está a ser muito difícil". Depois da prioridade em salvaguardar as habitações, os operacionais estão concentrados em dominar as chamas.

"A humidade da noite permite condições mais favoráveis ao combate", acrescenta Miguel Cruz ao Expresso. A situação poderá ficar controlada pelo nascer do dia desta terça-feira.

Desde o início da tarde de segunda-feira que o fogo não dá tréguas e ao início da noite alastrou-se a mais duas aldeias. Viveram-se mais momentos de aflição. Desta vez, em Cunha Alta e Almeidinha. "A situação está muito complicada", relatava ao Expresso o presidente da Câmara João Azevedo, na linha da frente no auxílio ao combate às chamas às 20h50. "Os operacionais estão a tentar entrar em casas cujos proprietários foram de férias", disse a partir do local.

O objetivo é colocar no interior meios e poder salvar as habitações. Cerca das 23h30, o autarca fez um novo ponto de situação ao Expresso: "É tudo muito incerto. Com o cair da noite torna-se mais difícil". Alto de Fundões é a nova zona do concelho que está a preocupar.

FOTO NUNO ANDRÉ FERREIRIA/LUSA

"Há muitas frentes de fogo. É o jogo do 'rato e do gato'. Apaga-se de um lado, acende-se noutro." Foram as primeiras declarações ofegantes do presidente da Câmara de Mangualde, João Azevedo, ao Expresso, a meio da tarde quando combatia as chamas num grupo de 30 populares. Mas muitos outros se têm juntado no auxílio aos operacionais no terreno.

"Já ardeu uma casa", revelava ao Expresso João Azevedo. Uma habitação senhorial em Mesquitela. Não há vítimas, uma vez que não se encontrava ninguém no interior. "Vive-se um inferno", desabafou. Pelo menos 150 habitações estiveram em perigo e as chamas alastraram a zonas do concelho que se julgava ser impossível o fogo lá chegar, porque "são muito distantes dos locais em que tiveram início", sublinhava.

Os dois incêndios deflaragram ao início da tarde de segunda-feira, neste concelho do distrito de Viseu, com seis minutos de diferença e quatro dias depois de um outro fogo ter consumido mil hectares. Os números foram avançados pelo autarca ao Expresso que fala num concelho "fustigado".

Mais de 200 operacionais no terreno com a prioridade de salvar habitações

Mais de 200 operacionais no terreno com a prioridade de salvar habitações

NUNO ANDR\303\211 FERREIRA

A Câmara acionou durante a tarde o plano de emergência municipal e não descartava a possibilidade de ser declarada situação de calamidade. Os meios aéreos envolvidos terão de cessar as missões com o cair da noite, o que trará "uma preocupação acrescida". "Já chega", desabafou João Azevedo. "É uma situação catastrófica. Trata-se de um incêndio único", insistiu.

Quatro freguesias afetadas, mais de 200 operacionais mobilizados para o terreno, pelo menos 71 meios terrestres e três meios aéreos. O autarca falava em "dezenas de corporações" envolvidas no combates. Vários populares foram retirados do local, uma vez que as chamas continuavam a ameaçar casas.

O primeiro fogo deflagrou numa zona de mato em Pinheiro de Cima, incidindo na freguesia de Fornos de Maceira Dão. O ponto de situação feito pela Proteção Civil às 17h30 indicava 66 operacionais, apoiados por 21 viaturas e um helicóptero (quando já estiveram envolvidos mais dois meios aéreos).

Populares protegem-se do fumo

Populares protegem-se do fumo

FOTO NUNO ANDRÉ FERREIRA/LUSA

Um outro fogo, que teve início às 12h20 em Cubos, também numa zona de mato, estendia-se às freguesias de Mangualde, Mesquitela e Cunha Alta. No combate às chamas encontravam-se 174 operacionais, auxiliados por 50 meios terrestres. A meio da tarde foi acionado um helicóptero.

Os dois incêndios juntaram-se num só. O mais recente balanço no site da Proteção Civil, divulgado às 02h00, refere 323 operacionais e 97 meios terrestres destacados.

Os Bombeiros Voluntários de Mangualde lançaram um apelo - ao qual a Câmara faz eco - para que os populares façam chegar ao quartel bens essenciais. Pedem sumos, águas, fruta e sandes.

A autarquia irá reunir com as autoridades para analisar a matéria dos incêndios. "Tem sido um atentado ao nosso concelho", frisa João Azevedo ao Expresso.

De acordo com o comando Distrital de Operações de Socorro de Viseu, a circulação na linha ferroviária da Beira Alta encontra-se interrompida desde as 12h32, entre Nelas e Gouveia.

Bombeiros no combate às chamas

Bombeiros no combate às chamas

FOTO NUNO ANDRÉ FERREIRA/LUSA

notícia atualizada às 02h16