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Um em cada cinco alunos chumba ao longo do secundário

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Marcos Borga

Taxas de retenção e desistência variam muito de escola para escola, entre a quase inexistência de chumbos e valores que, no caso do 12º ano, se aproximam dos 80%

Um quinto dos alunos (22%) dos cursos científico-humanísticos chumba nalgum ano do secundário, indicam os dados do Miistério da Educação. Sendo que é no 12.º que mais estudantes ficam retidos, por uma ou mais cadeiras. Entre os anos letivos de 2009/10 a 2012/13 aconteceu em média com 35% dos alunos.

Os cálculos são feitos a partir das estatísticas disponíveis no portal Infoescolas, que permitem ainda olhar para o que se passa em cada escola e ordená-las pela percentagem de chumbos, por ano letivo e por ano curricular (10.º, 11.º e 12.º).

Olhando para as que ao longo deste período não registaram nenhuma retenção no 12.º (tendo tido por ano, em média, pelo menos 10 exames por ano a Português e Matemática), encontram-se quatro escolas.

As quatro são privadas e localizam-se em Lisboa, Almada, Porto e Vila Nova de Gaia. Existem outros casos em que também não se registou nenhuma retenção no 12.º ano ao longo dos últimos cinco anos letivos, mas são escolas onde o número médio de exames nacionais por ano, de Português ou Matemática, foi muito reduzido (inferior a 10).

Pelo contrário, há sete escolas com mais de 60% de chumbos nos últimos cinco anos letivos e todas são públicas. A taxa de retenção oscila entre 76% – na Escola Secundária Seomara da Costa Primo, na Amadora – e 61%, em três escolas diferentes – Rafael Bordalo Pinheiro, nas Caldas da Rainha, Tomás Cabreira, em Faro e Baixa da Banheira, na Moita.

As escolas que melhoram os alunos

Outros dos indicadores disponíveis na base de dados do Infoescolas permite conferir quais as escolas que fizeram os alunos melhorar os seus desempenhos em exames nacionais.

Para isso, o Ministério da Educação calculou um índice de progressão que compara os resultados que os alunos obtiveram nos exames nacionais de 12.º ano de Matemática e Português com os que os mesmos alunos haviam obtido três anos antes nos exames do 9.º ano, às mesmas disciplinas.

Para o indicador ser positivo não interessa as notas absolutas dos alunos, mas se conseguiram melhorá-las relativamente às médias nacionais. Por exemplo, se um aluno do 9.º estava abaixo da média nacional e, três anos depois, ficou acima da média nas provas realizadas no 12.º, então a sua progressão relativa é positiva.

Fazendo essa avaliação para o conjunto dos estudantes de uma secundária, é de depreender que a escola e os professores daquele estabelecimento tiveram alguma influência na melhoria dos resultados. O facto de a evolução ser medida em termos relativos permite que uma escola que tenha uma população mais difícil possa sair-se bem neste indicador: os resultados dos alunos até podem ser mais baixos que a média; mas se tiverem melhorado em três anos o esforço aparece assinalado.

Pelo contrário, se os alunos acabaram por se afastar mais da média nacional nas provas do 12.º, no sentido negativo e em relação ao que acontecera no 9.º ano, então é porque a escola foi incapaz de manter o nível dos seus estudantes.

Há cinco escolas que entre os anos letivos de 2010/11 e 2013/14 registaram, gradualmente, uma melhoria nas notas de Português e Matemática, em simultâneo. Três são públicas – Escola Básica e Secundária de Búzio, em Vale de Cambra, Escolas Secundária de Póvoa de Lanhoso e Escola Básica e Secundária de Ponte da Barca – e duas são privadas – Colégio Nossa Senhora do Rosário no Porto e Colégio da Trofa.

Pelo contrário, as estatísticas mostram que houve três escolas onde, entre 2010/11 e 2013/14, o desempenho dos alunos nos exames de Português e Matemática no 12.º ano foi pior, relativamente às médias nacionais, do que tinha sido nos exames do 9.º ano. As três escolas são públicas e localizam-se em Ílhavo, Odivelas e Torres Vedras.

Só oito concelhos têm mais rapazes

Outro dado que pode ser consultado é a proporção de alunos do sexo masculino e feminino matriculados nos cursos gerais do secundário (mais orientados para o prosseguimento de estudos). A nível nacional, 55% dos alunos são raparigas e 45% são rapazes. Mas há oito concelhos onde há mais rapazes do que raparigas nas escolas.

Entre essas exceções destaca-se Oleiros e Ferreira do Alentejo, com a proporção de raparigas mais baixa do país, 41% e 42%, respetivamente.

Quanto ao número de alunos matriculados, conclui-se que dois terços estão concentrados em cinco distritos – Lisboa, Porto, Braga, Setúbal e Aveiro. Portalegre é, pelo contrário, o que tem menos alunos no secundário, o único com menos de dois mil estudantes (1.946).