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Sociedade

15 escolas repetem-se no top da “inflação” de notas

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Externato Ribadouro, no Porto

Rui Duarte Silva

Ministério da Educação disponibiliza dados que permitem fazer rankings das secundárias. Colégios do Norte estão entre as escolas que apresentam maiores desvios entre as notas dadas aos alunos e as que eles obtêm nos exames nacionais

Se é certo que as notas internas, atribuídas pelos professores aos alunos, são tendencial e justificadamente melhores do que as que os estudantes obtêm nos respectivos exames nacionais (já que avaliam todo o trabalho e comportamento ao longo do ano letivo), também é sabido que há estabelecimentos de ensino que praticam avaliações mais exigentes do que outros. Só que a partir de hoje, todos poderão ficar a saber rapidamente o nome daqueles que ‘facilitam’ mais e menos a vida aos estudantes ou que, na descrição do Ministério da Educação, “estão a utilizar critérios de avaliação do desempenho escolar dos seus alunos muitos diferentes” do conjunto das restantes escolas.

A ferramenta que permite comparar e seriar as mais de 500 escolas secundárias com cursos gerais do ensino secundário, públicas e privadas, a partir de diferentes indicadores, como este do “alinhamento das notas internas”, ficou disponível este sábado no portal Infoescolas (http://infoescolas.mec.pt/).

Este site com informação detalhada por estabelecimento de ensino já estava activo desde o início do ano. Mas foi completado agora com um ficheiro que permite a cada um fazer ‘rankings’ e análises comparativas, com um simples clique e em vez de andar a ver um a um. As ordenações podem ser feitas por escola, concelho ou distrito e a partir de indicadores como a percentagem de chumbos, a progressão dos resultados dos alunos, o valor esperado em função do contexto social e o “alinhamento” das notas internas.

Ordenando as escolas pelo último critério, verifica-se que há 15 que, nos últimos cinco anos letivos, posicionaram-se sempre entre as 10% com desvios maiores das notas internas. Ou seja, comparando as classificações atribuídas por estas com as notas atribuídas pelas restantes escolas do país a alunos com resultados semelhantes nos exames, verificou-se que estas 15 são sistematicamente mais benevolentes. Neste top 15, encontram-se 11 colégios e 4 secundárias públicas. Com excepção de uma em Faro, todos ficam a Norte, com destaque para o Porto.

Investigações em curso

Apesar de não ter indicado nomes, o Ministério anunciou em Julho ter feito a vários estabelecimentos de ensino “recomendações no âmbito da necessária correção dos procedimentos de avaliação dos alunos” e que estavam em curso quatro processos de inquérito para uma investigação “mais aprofundada de indícios de responsabilidade disciplinar detetados” em casos de continuada discrepâncias entre classificações internas e de exames. As “diligências continuam”, informa agora a tutela.

Este tipo de ‘inflação de notas’ é calculado da seguinte forma: os alunos que tiveram 11 no exame de Matemática em 2013, que média tiveram na escola? E os de 12? A partir daí calculou-se o quanto os estabelecimentos de ensino se desviaram dessa diferença que é normal. Se derem notas internas mais altas a alunos que, posteriormente, obtêm os mesmos resultados nos exames nacionais, “então é possível que estejam a utilizar critérios de avaliação do desempenho escolar dos seus alunos menos exigentes” do que os critérios utilizados pelas outras, lê-se numa nota explicativa do Ministério.

O que não teria qualquer consequência se estas mesmas classificações do secundário não fossem utilizadas na seriação dos alunos para o ingresso no ensino superior e os cursos mais cobiçados serem disputados às décimas.

O Ministério não indica qual o valor dos desvios em cada ano letivo. Apenas assinala os estabelecimentos que estão entre os 10% de maiores desvios, para baixo e para cima, entre 30% até 10% e as que estão alinhadas com a média (“não existe certeza estatística forte de que a escola esteja a utilizar critérios de avaliação do desempenho escolar dos seus alunos mais exigentes, ou menos exigentes, do que os critérios utilizados na média das outras escolas”, explica o Ministério).

No extremo oposto, encontram-se as secundárias mais ‘exigentes’ e que sistematicamente atribuem notas mais baixas aos seus alunos. Há 11 que estão no grupo dos 10% de maiores desvios (para baixo) nos últimos cinco anos letivos. Neste top, a maioria são públicas (7) e entre as quatro privadas há duas com contrato de associação (os alunos não podem ser escolhidos e não pagam propina).