Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Sensações fortes no leito de um rio turbulento

  • 333

O límpido Frades, em Arouca, acolheu a minha estreia no canyoning. E foi de tal maneira empolgante que espero ansioso pelo rio que se seguirá. O relato da aventura, a explicação do que é esta atividade e um roteiro de locais onde a praticar

João Paulo Galacho

O objetivo do canyoning é descer a pé rios com acentuados desníveis nos seus cursos. A atividade mistura técnicas de espeleologia e alpinismo com saltos/mergulhos para lagoas, e exige aos praticantes o uso de fatos de neopreno, capacete, arnês e calçado adequado. E, claro, monitores experimentados, imprescindíveis para minimizar os perigos.

É uma modalidade perigosa, com riscos reais para os participantes, mas quem a experimenta não a esquece. Mal pomos o pé no rio a adrenalina dispara e é ela que leva alguns a ter a coragem de saltar de um penhasco de 14 metros para um poço lá muito em baixo.

Para os menos afoitos são estendidas cordas, que lhes permitirão ultrapassar os obstáculos naturais utilizando principalmente duas técnicas:

Rapel:Técnica de descida vertical que usa cordas específicas. O praticante vai como que sentado no ar e pode descer em pequenos saltos, apoiando os pés na parede e folgando a corda aos poucos

Slide: Deslizar por um cabo/corda que está esticado entre um sítio mais elevado e um mais baixo, usando uma roldana

As plaquetes, argolas de ferro cravadas nas rochas – que permitem prender as cordas com segurança – estão por todo o lado e possibilitam vários trajetos para a descida. Os caminhos mais radicais levam-nos pelo meio das quedas de água, onde por vezes ficamos completamente cobertos de água. Os mais comedidos contornam as cascatas e permitem uma progressão em terreno seco.

1 / 12

JOÃO PAULO GALACHO

2 / 12

JOÃO PAULO GALACHO

3 / 12

JOÃO PAULO GALACHO

4 / 12

JOÃO PAULO GALACHO

5 / 12

JOÃO PAULO GALACHO

6 / 12

JOÃO PAULO GALACHO

7 / 12

JOÃO PAULO GALOCHO

8 / 12

JOÃO PAULO GALOCHO

9 / 12

JOÃO PAULO GALOCHO

10 / 12

JOÃO PAULO GALOCHO

11 / 12

JOÃO PAULO GALOCHO

12 / 12

JOÃO PAULO GALOCHO

Tem de se ter uma atenção especial aos limos, escorregadios. Algumas lagoas mais extensas têm de ser ultrapassadas a nado, mas também se progride fora de água, quer pela margem quer por cima dos imensos calhaus que enxameiam o rio.

Outra técnica que nos transporta imediatamente para a meninice é o tobogã, que consiste em descer sentado um troço do rio onde as rochas do leito funcionam como escorrega.

De resto é usufruir da natureza no seu estado mais puro e aproveitar para registar – na memória ou em fotografias – paisagens únicas só acessíveis a quem tem o privilégio de... caminhar no rio.

Onde fazer

Em Portugal continental, as regiões centro e norte monopolizam os sítios onde se pode fazer canyoning. Os Açores são unanimemente considerados a meca da atividade, mas na Madeira também existem vários percursos muito interessantes.

As “pistas” dos arquipélagos caracterizam-se por grandes verticais, com algumas a terminarem no oceano, o que obriga a uma logística mais complexa - tem de se garantir um barco no mar, para recolher os praticantes. A maioria são percursos muito técnicos, só aconselhados a praticantes com muita experiência.

No continente, muitos dos trilhos passam por lagoas profundas, uma mais-valia para os apreciadores de mergulhos de grandes alturas - existem muitos saltos acima da dezena de metros. São percursos mais lúdicos, que permitem caminhadas mais descontraídas no leito dos rios.

REGIÃO NORTE

Parque Nacional da Peneda Gerês

Existem muitos percursos, mas estão condicionados à autorização prévia do Parque nas zonas de ambiente rural, e proibidos nas zonas de ambiente natural.

Principais cursos de água equipados (com condições para ancorar as cordas): Cabril, Castro Laboreiro, Vez, Fafião, Arado, Conho, Ribeira da Peneda, Pomba e Adrão

Rio Arado apresenta uma sucessão de quedas de água, que culminam na agradável lagoa da cascata do Taiti - como é conhecida popularmente.

Rio Arado apresenta uma sucessão de quedas de água, que culminam na agradável lagoa da cascata do Taiti - como é conhecida popularmente.

JOÃO PAULO GALACHO

Serra do Alvão

Situam-se aqui os percursos mais difíceis do continente, aconselhados só a praticantes experientes: Rio Poio, considerado por muitos o trilho continental mais exigente; Rio Olo; Fisgas do Ermelo, com um percurso muito técnico, mas interdito, onde o canyoning só é possível com uma autorização especial do Parque Natural do Alvão; Serra de Arga, no rrio Âncora, que tem um troço equipado para canyoning e é indicado para principiantes.

As Fisgas do Ermelo, no rio Olo, são um dos sítios mais impressionantes de Portugal continental para a prática de canyoning

As Fisgas do Ermelo, no rio Olo, são um dos sítios mais impressionantes de Portugal continental para a prática de canyoning

JOÃO PAULO GALOCHO

REGIÃO CENTRO

Serra da Lousã

Nesta zona existem várias ribeiras com troços equipados: a ribeira das Quelhas e a de São João são consideradas de nível de dificuldade baixa, enquanto a da Pena é de dificuldade média - possui um caudal forte, que corre num leito encaixado e muito estreito.

Serra do Caramulo

Na Ribeira das Paredes, Mortágua. Uma cascata de 30 metros e algumas lagoas profundas marcam este itinerário. Ideal para o batismo na modalidade.

Ribeira das Paredes

Ribeira das Paredes

jOÃO PAULO GALACHO

Serra da Freita, Arada e Montemuro

A zona com a maior concentração de percursos do continente, que vão desde os mais exigentes aos mais fáceis.

RIO CAIMA, Frecha da Mizarela

RIO CAIMA, Frecha da Mizarela

JOÃO PAULO GALACHO

Principais cursos de água equipados: rios Branco, Cabrum, Caima (Frecha da Mizarela), Frades, Lordelo, Pombeiro e Teixeira. Ribeiras Manhouce, Paraduça e Vessadas

Míticas cascatas do rio Teixeira

Míticas cascatas do rio Teixeira

JOÃO PAULO GALACHO

ILHAS

Açores

Flores, São Jorge, São Miguel e Santa Maria são as principais ilhas do canyoning açoriano. Faial e Terceira só recentemente começaram a ser exploradas, mas os caudais das suas ribeiras secam no verão. Neste momento já existem mais de 100 itinerários explorados no arquipélago. A maioria dos percursos apresenta um nível elevado de dificuldade. Se pensarmos numa vertical de 225 metros e num rapel de 80 metros, ambos na ilha das Flores, a rainha do canyoning açoriano, percebemos a grandiosidade de alguns destes percursos.

Madeira

Cascatas com mais de 100 metros? Vegetação exuberante? Luz mágica? Serras com encostas a pique? Tudo isto existe na Madeira e tudo isto se conjuga para fazer da ilha um sítio ótimo para o canyoning. Já existem umas dezenas de troços equipados, mas há ainda muitos por descobrir. A maioria são de nível de dificuldade elevado.

CASCATA DO RISCO, no Paul da Serra. Uma das grandes verticais da ilha da Madeira

CASCATA DO RISCO, no Paul da Serra. Uma das grandes verticais da ilha da Madeira

jOÃO PAULO GALACHO

COM QUEM FAZER

Associação de Desportos de Aventura Desnível
DNA Desporto Natureza e Aventura
Geoaventura
Tobogã Desporto/Aventura/Lazer