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Recém-nascida retirada do cano de uma sanita

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O caso passou-se na China, onde o abandono de bebés ainda parece ser uma prática frequente

Luís M. Faria

Jornalista

Uma recém-nascida foi retirada de uma sanita numa casa de banho pública, onde se encontrava presa de cabeça para baixo. Aconteceu em Pequim, capital de um país onde se estima que todos os anos sejam abandonados cerca de 10 mil bebés, por motivos diversos.

No caso agora descoberto, a criança só se salvou por milagre. Alguém a ouviu chorar e alertou a polícia. O corpo já se encontrava inteiramente dentro do cano, e só se viam os pequenos pés. Embora o cano fosse dar a outro colocado em posição horizontal, entalando a bebé e criando riscos graves, o polícia decidiu não esperar por ajuda de especialistas. Com muito cuidado, retirou ele próprio a bebé, a qual foi abrigada em roupas e levado ao hospital. Tanto quanto é possível saber, não terá sofrido danos permanentes.

Antes de a China aliviar um pouco a rigidez da sua política de limitação de nascimentos – que restringia a maioria dos casais a um único filho, sob pena de multa – era muito frequente este género de ato. Agora talvez se passe menos, mas ainda em números assustadores, sobretudo por razões económicas e de vergonha.

Uma conjunto de situações recentes bastante faladas, incluindo uma em que foi preciso literalmente serrar o esgoto onde a criança se encontrava, suscitaram o interesse público por esta questão. Em vários lugares foram criados “ninhos” onde se podem deixar bebés anonimamente, mas a procura foi tal que pelo menos um deles teve de ser fechado.

Se antes os casos tinham muitas vezes que ver com o sexo da criança – havia uma grande preferência por rapazes –, hoje muitos dos abandonados têm deficiências, como síndrome de Down. E mesmo quando a criança é descoberta a tempo, nem sempre se conseguem encontrar os seus pais.