Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Ministério investiga estranha “epidemia” em Bragança: 360 professores meteram atestado

  • 333

Docentes invocaram problemas de saúde e necessidades específicas de tratamento, seu ou de familiares, para terem direito a mudar de escola. Inspeção-Geral da Educação já está no terreno

Como se fosse uma epidemia, mais de 360 professores do distrito de Bragança invocaram motivos de saúde e necessidades específicas de tratamento, seu ou de familiares, para justificarem uma mudança de escola. Apesar de estar previsto na lei há anos, o elevado número de pedidos de destacamento por doença concentrados num só distrito (e que nem sequer é dos mais povoados) levou o Ministério da Educação a investigar.

Questionado pelo Expresso, o gabinete do ministro Nuno Crato disse já estarem “em curso processos de averiguações conduzidos pela Inspeção-Geral da Educação e Ciência”.

Em 2014, o Ministério da Educação autorizou cerca de 2200 pedidos de destacamento por doença em todo o país. Pelos números indicados pelo jornal “Mensageiro de Bragança”, e que não foram contrariados pela tutela, desta vez e só naquele distrito o número já vai em 362. Sendo que a maioria dos docentes tem pedido para ser colocado no Agrupamento Emídio Garcia, localizado na capital.

De acordo com as regras deste concursos, os professores que tenham determinadas doenças graves ou que necessitem de tratamentos específicos que não existam na zona da escola à qual pertencem podem pedir para mudar de estabelecimento de ensino. O mesmo acontece se se tratar do marido/mulher, união de facto e ascendentes e descendentes na sua dependência.

Polémica repete-se em Bragança

A polémica acabou por surgir já que a deslocação destes professores para outros agrupamentos pode “retirar” vagas que estariam disponíveis para docentes dos quadros de zona pedagógica interessados em concorrer. Nalguns casos, apesar de terem mais anos de serviço, são assim ultrapassados na colocação, podendo, no limite, ficar sem horário atribuído.

Não é a primeira vez que este mecanismo permite a colocação de professores noutras escolas que são mais do seu interesse. Há 10 anos, este mesmo concurso foi investigado pela Inspeção-Geral de Educação. Em causa estavam centenas de casos suspeitos e que se concentravam maioritariamente, mais uma vez, no distrito de Bragança.