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“Geocaching”, a caça ao tesouro “evoluída”: o que é e os cuidados a ter

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Uma “cache” típica é constítuida por uma caixa resistente, material impermeável para proteger os conteúdos do “tesouro” e documentação variada que explica que o “geocaching” é um jogo e que pede que as “caches” não sejam removidas ou vandalizadas

Créditos: By i_am_jim

O “geocaching” pode descrever-se como uma versão mais evoluída da tradicional caça ao tesouro. Praticante português de 62 anos foi encontrado morto esta segunda-feira

O “geocaching”, ou caça ao tesouro, está a ganhar adeptos em Portugal, estimando-se que cheguem aos 30 mil praticantes ativos, mas trata-se de “uma aventura” que não deve ser praticada sem companhia, diz à Lusa um praticante da modalidade.

Segundo explica Pedro Santos, “geocacher” desde 2008 e um dos administradores do Geopt.org, site que se dedica ao “geocaching”, o mais importante nesta atividade é “cumprir as regras de segurança” e as pessoas “não se aventurarem sozinhas”.

O especialista aconselha todo o cuidado. “Seja no ‘geocaching’ ou em alguma atividade que envolva algum risco, em caminhar em sítios perigosos, não vão sozinhos”, alerta Pedro Santos.

Esta segunda-feira encontrado, já sem vida, um homem de 62 anos, de Tomar, distrito de Santarém, que estava desaparecido nas serras de Aire e Candeeiros, no distrito de Leiria, quando praticava “geocaching”. Uma má decisão, no entender de Pedro Santos, que falou com a Lusa ainda antes de se saber da morte do “geocacher”.

“Para mim é uma estupidez fazer este tipo de atividades sozinho, basta uma coisa tão simples como escorregar numa pedra molhada, torcer um pé, partir uma perna, bater com a cabeça”, adverte o jovem de 35 anos praticante desta modalidade.

Segundo o site geocaching.com existem 2.684.108 “geocaches” (‘tesouros’) ativas em todo o mundo e mais de seis milhões de “geocachers” (‘caçadores de tesouros’). Em Portugal, estima-se que a comunidade chegue aos 35 mil entusiastas, dos quais só 25 a 30 mil são praticantes ativos.

O “geocaching” pode descrever-se como uma versão mais evoluída da tradicional caça ao tesouro, já que, ao invés dos mapas, os “geocachers” usam coordenadas de localização GPS para chegarem ao tesouro escondido dentro de uma “cache” (caixa de plástico) que se pode encontrar no campo, na praia ou mesmo na cidade.

Pedro Santos reconhece que esta pode ser uma atividade perigosa, devido aos locais onde as “caches” estão escondidas, e por esse facto alertar que quando um “geocacher” quer chegar a uma das “caches” mais difíceis e radicais deve ter cuidado e levar material de segurança.

“Temos ‘caches’ escondidas em todo o lado e mais algum, algumas podem estar no meio de uma parede de escalada, por exemplo, podem estar em sítios perigosos como uma ribanceira, depende qual é o objetivo da ‘cache’ em si, qualquer pessoa que se aventura para chegar a uma destas “caches” mais difíceis ou mais radicais pode correr o risco de acontecer algum acidente”, explica.

O “geocacher”, que vive em Lisboa, contou à Lusa a experiência de ir atrás de uma “cache” que se encontrava no topo de uma chaminé de 75 metros de altura, lembrando que fez o desafio com cordas e equipamento de segurança, assim como quando faz escalada referiu não dispensar o uso das cordas.

“Às vezes há pessoas que não cumprem requisitos de segurança ou que decidem abusar e pode haver algum problema”, sublinha.

A descrição de cada “caches” e as suas coordenadas geográficas encontram-se publicadas no site na internet geocacching.com, acessível a todos os que se queiram aventurar, mas há que respeitar umas quantas regras antes de se meter ao caminho.

As “caches” podem conter pequenos objetos ou brinquedos que deliciam quem as encontra, mas no seu lugar deve ficar algo em troca. No entanto, o maior prémio, dizem os “geocachers” é a procura do tesouro em si, descobrindo o local onde esta se encontra escondida, paisagens desconhecidas até então.

Pedro Santos revela à Lusa que o “tesouro é só um pretexto” que leva o praticante àquele local ou àquela aventura, acrescentando que o conteúdo da “cache” “não lhe interessa nada”, mas sim “encontrar o local, ver as vistas, desfrutar da paisagem, da companhia dos amigos”.

“‘Geocaching’ é as pessoas dizerem que está ali um sítio muito porreiro, desafiarem-me para ir lá e eu vou. A ‘cache’ é só um pretexto”, conta Pedro Santos, cuja primeira aventura no “geocaching” surgiu pelas mãos de um amigo e colega de trabalho no Campo Pequeno.

A experiência que retém na memória como mais emocionante foi a vivida em Arouca, há cerca de dois anos, com a “cache” denominada Indiana Jones e que se encontra numa gruta de três metros quadrados no Rio de Frades.

Pedro Santos relembra ainda que as '“caches” estão classificadas em nível de perigosidade, tendo em conta os locais onde estão escondidas, explicando que por se tratar de uma atividade ao ar livre, podem acontecer acidentes: “O perigo é dependente de cada um de nós e do que fazemos até lá chegar”.