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Criança de seis anos agride motorista e vigilantes de carrinha de transporte escolar

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Violência recorrente nas viagens entre o Bairro da Nogueira e a escola do 1º ciclo da Camacha, na Madeira, levaram à suspensão do transporte escolar

Marta Caires

Jornalista

As queixas de violência e mau comportamento das crianças nas viagens da carrinha de transporte escolar entre o bairro social da Nogueira e a escola de 1º ciclo da Camacha, na Madeira, não eram novas, mas as agressões de um rapaz de seis anos às vigilantes e ao motorista foram a gota da água. O transporte foi suspenso e não será retomado no próximo ano letivo. Uma das vigilantes ficou sem os óculos, a outra foi pontapeada na barriga. O motorista tentou intervir e a criança cuspiu-lhe na cara.

A carrinha ainda estava parada quando a criança de seis anos, aluno do pré-escolar, tentou fugir, depois de ter sido deixada pelo pai. Uma das vigilantes impediu a fuga e a reação foi violenta: o miúdo puxou-lhe os cabelos e foi pontapeada com força na barriga. A segunda vigilante veio ajudar, mas foi arranhada na cara. O rapaz tirou-lhe os óculos graduados, atirou-os ao chão e pisou-os com força. Ficaram inutilizados.

Perante este tumulto, o motorista tentou acalmar o miúdo, que o cuspiu. Na verdade, a agressividade só passou quando foram chamar o pai. Os factos foram relatados depois à PSP e a escola terá enviado um relatório à Comissão de Proteção de Crianças e Jovens. Não foi o único relatório sobre incidentes de violência e mau comportamento de várias crianças nestas viagens entre o bairro da Nogueira e a escola, um percurso de 900 metros e que leva mais ou menos cinco minutos a fazer.

Este transporte, agora suspenso pela Câmara de Santa Cruz, começou em 2012, após um reordenamento da rede escolar e que levou ao encerramento da escola de 1º ciclo da Nogueira. As crianças do bairro social foram transferidas para a escola da Camacha, que fica a 900 metros do complexo habitacional. Apesar de não ser obrigatório – a lei só exige para distâncias superiores a dois quilómetros -, a autarquia assegurou a estas crianças transporte para escola durante três anos. 

Bairro problemático

O bairro social da Nogueira, na Camacha, é um dos mais problemáticos da Madeira, onde são frequentes as detenções por tráfico de droga e notícias de zaragatas. Até o Governo Regional, ainda nos tempos de Alberto João Jardim, reconheceu os problemas de exclusão e lançou, em 2013, um plano de recuperação do complexo habitacional que visava a integração no espaço rural com a criação de hortas familiares. O bairro tem ainda um centro comunitário que tenta integrar e desenvolver atividades para uma comunidade em parte desenraizada.

Construído no início dos anos 90, o bairro juntou famílias carenciadas e expropriados das obras públicas regionais num complexo composto por vivendas. A maioria dos moradores não tinha qualquer ligação ao meio rural, nem qualquer proximidade com a Camacha, a localidade vizinha. A passagem do tempo degradou parte das casas, os equipamentos comuns foram destruídos. E há anos que a Nogueira está referenciada como lugar de tráfico de droga e exclusão social.