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Sociedade

Edifício que já fazia arder tapetes agora derruba carrinhos ambulantes

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A intensa luz refletida pelo novo edifício desperta a atenção

Peter Macdiarmid / Getty Images

Se há estruturas que parecem amaldiçoadas desde o início, 20 Fenchurch Street, em Londres, é uma delas

Luís M. Faria

Jornalista

Um arranha-céus novo em Londres, já conhecido por refletir uma luz tão forte que derretia a tinta dos carros à sua volta e pegava fogo a tapetes em lojas vizinhas, tem agora outro problema. Ao que parece, a sua estrutura curva gera túneis de vento que derrubam carrinhos de vendedores ambulantes.

20 Fenchurch Street, endereço e nome do edifício, foi polémico desde o início. A sua localização no centro histórico da City - a zona financeira, com muitas construções antigas, incluindo a catedral de São Paulo - levantou questões importantes sobre volumetria.

Os 200 metros de altura originalmente planeados acabaram por descer para 160, mas mesmo assim .

O edifício (à esq.) tem uma dimensão desproporcionada que ajuda a justificar uma afirmação recente de que Londres estaá a tornar-se uma versão do Dubai em mau

O edifício (à esq.) tem uma dimensão desproporcionada que ajuda a justificar uma afirmação recente de que Londres estaá a tornar-se uma versão do Dubai em mau

Oli Scarff / Getty Images

Ainda a construção estava em curso e já a forma curva das paredes exteriores (relacionada com a intenção de maximizar as áreas disponíveis nos andares superiores, onde a renda é mais alta) criava um efeito de espelho reflector côncavo que provocava danos à volta. A solução passou primeiro por um écrã ao nível do solo, e depois por uma cobertura que eliminou o efeito refletor do edifício.

Um parque público que não é parque nem (totalmente) público

Agora foi detetado o túnel de vento, e a solução deve ser bem mais difícil. Para já, os carrinhos ambulantes vão passar a trazer um aviso a dizer aos clientes que pode haver acidentes. E entretanto também se descobriu que nos elevadores se ouve por vezes um assobio assustador. São problemas a mais para uma estrutura concluída apenas há um ano.

Quando o projecto estava a ser publicamente contestado, os promotores conseguiram fazê-lo aprovar prometendo construir um parque público no seu topo. De facto, este ano abriu uma zona verde nos três andares de cima. Mas os críticos dizem que não é parque, pois não tem relva, nem é totalmente público, pois exige marcação prévia e a apresentação de um cartão de identificação com foto. Além de só se poder ficar lá um máximo de 90 minutos. Com tão pouco tempo e sem relva, como fazer lá um piquenique?