Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

A ver passar turistas

  • 333

Em 2014, foram criadas todos 
os meses, em média, 50 novas empresas de animação turística. Só este ano nasceram mais 333

Gonçalo Viana

Lisboa recebe 35 mil visitantes por dia e todos chegam em busca de uma cidade genuína e sem turismo. Muitos lisboetas agradecem a oportunidade de negócio, mas outros já temem o pior

Um dia depois de casarem, Anneleen e Dries aterraram em Lisboa num abafado fim de tarde de segunda-feira. O voo de Bruxelas vinha atrasado, mas ainda iam a tempo de ter o primeiro jantar da lua de mel em Portugal. Assim que pousaram as malas no apartamento alugado em Alfama, saíram à procura de sítio. Não precisava de ser um restaurante sofisticado ou com um ambiente romântico. Só queriam que fosse tipicamente português, frequentado por portugueses e sem turistas à volta. Afinal, escolheram Lisboa precisamente por ainda ser “genuína” e não estar tão invadida de viajantes como Londres, Paris ou Barcelona.

Numa estreita viela do bairro, os dois professores de História, de 29 e 33 anos, descobriram uma pequena tasca que parecia ideal. Mal se dava por ela. Não vinha nos guias, nem tinha menu em inglês a anunciar “sardines” ou “pork chops”. Lá dentro, o espaço era apertado, mas composto. Sentaram-se no canto de uma mesa para quatro, a única vaga. Ainda estavam a tentar decifrar a ementa quando um casal entrou e ocupou os outros dois lugares, quase ao seu colo. Mal cruzaram os olhares, perceberam logo. “Oh, não! São belgas como nós!”, pensaram quase em simultâneo, esboçando um sorriso amarelo.

A verdade é que, por estes dias, só com muita sorte Anneleen e Dries conseguiriam o que queriam. É quase impossível não tropeçar em turistas numa altura em que Lisboa está a receber, em média, 35 mil por dia, quase todos concentrados em bairros históricos como Alfama, Baixa ou Castelo. Distinguida sucessivamente nos últimos anos como Melhor Destino Europeu, Melhor Destino Urbano ou Melhor Destino Low Cost, entre muitos outros prémios — que vão do porto de cruzeiros à qualidade dos hostels —, a capital portuguesa está agora a bater todos os recordes no que diz respeito ao turismo. Só este ano, já recebeu mais de 3,5 milhões de viajantes. As receitas do sector em Portugal estão a crescer três vezes mais do que em Espanha ou Itália, por exemplo.

O país parece estar, assim, a conseguir o que há tanto tempo ambicionava. Mas o feito não está a agradar a todos. Há até quem já peça restrições ao turismo, alertando para “os incómodos” causados na vida dos moradores e para os riscos de uma descaracterização da cidade. A questão tem estado na ordem do dia desde o início do verão. Em junho, o título de uma notícia do “Público” dava conta que os “lisboetas sentem-se cada vez mais acossados pelos turistas”. Duas semanas depois, o “problema” foi debatido no “Prós e Contras”, da RTP, que afirmava na introdução que “os residentes queixam-se de que há turistas a mais e que o dia a dia se torna insuportável”. A fazer fé nas notícias, parece que, de repente, o país deixou de pedir mais turismo. E passou a queixar-se dele.

Na semana passada, a discussão chegou à política. Na reunião da Assembleia Municipal de Lisboa, o vereador do Planeamento e Urbanismo da Câmara, Manuel Salgado, admitiu que há uma excessiva concentração de hotéis e alojamentos turísticos nos bairros históricos, sobretudo na Baixa, e anunciou que a autarquia está a preparar um relatório de avaliação do impacto do turismo na cidade, que deverá estar concluído até ao final do ano. Ainda antes de estar pronta a avaliação, no entanto, o presidente da autarquia, Fernando Medina, defendeu numa entrevista ao “Público” que o sector ainda tem margem para crescer sem comprometer a qualidade de vida dos residentes. Mas há quem discorde. O presidente da junta de freguesia de Santo António, por exemplo, não tem dúvidas de que “os lisboetas estão a tornar-se danos colaterais” do turismo.

Gonçalo Viana

Na sua zona, junto ao elevador da Glória, há uma pequena rua com pouco mais de 40 metros onde estão situados cinco hostels e está em construção o sexto, além de vários apartamentos para arrendamento turístico publicitados em sites como o Airbnb. Chama-se Travessa do Fala Só, mas lá já ninguém fala sozinho. E silêncio é coisa que não existe, queixa-se o autarca eleito pelo PSD, Vasco Morgado Jr. “A junta já recebeu mais de 100 queixas de moradores por barulho provocado pelos turistas. Tornou-se impossível estacionar o carro e o lixo aumentou. Antes que Lisboa se transforme em Barcelona, é preciso pôr um travão ao turismo. Não podem abrir mais alojamentos turísticos, pelo menos nas zonas históricas”, defende.

Nesta discussão, Barcelona — a terceira cidade mais visitada da Europa, com quase oito milhões de turistas por ano, mais do dobro de Lisboa — vem sempre à baila. Não é por acaso. Assim que foi eleita, em maio, a nova autarca da capital catalã, Ada Collau, considerou que “o turismo tornou a cidade inabitável” e mandou suspender a aprovação de novos hotéis. A multiplicação de alojamentos turísticos em zonas como o popular Bairro Gótico fez disparar o preço das casas, afastando os moradores, e criou problemas de barulho e vários episódios de tensão entre residentes e turistas. No verão passado, três italianos bêbedos passearam nus pelas ruas da cidade. Foi a gota de água, neste caso de álcool, que fez perder a paciência dos residentes, que se juntaram às centenas para protestar contra o aumento desenfreado do turismo e a descaracterização da cidade.

Um quarto e uma ginjinha

Alfredo Ricardo, de 74 anos, nunca visitou Barcelona, mas conhece como poucos a Baixa de Lisboa, a zona da cidade que hoje concentra mais hotéis e alojamentos turísticos. Aos 13 anos, depois de acabar a 4ª classe e de ajudar os pais no campo, trocou a Beira Alta pela capital. Desde esse dia, já lá vão seis décadas, trabalha na retrosaria Bento, na Rua da Conceição, mesmo em frente à linha do 28, o emblemático elétrico amarelo que agora anda sempre apinhado de turistas. A partir da sua pequena loja de fios e botões, Alfredo é um espectador privilegiado das muitas transformações que o tecido da Baixa sofreu ao longo do tempo. O que viu deu-lhe mais desgostos do que alegrias. Assistiu ao esvaziamento da zona, ao encerramento de dezenas de lojas antigas e à degradação de muitos prédios, deixados ao abandono. Os ministérios mudaram de sítio, os bancos passaram as sedes para outro lugar e as ruas foram ficando cada vez mais vazias. Até quase não ver ninguém, quando saía da retrosaria às 19h, para ir para casa.

“Há seis ou sete anos era uma dor de alma atravessar a Rua Augusta ao fim da tarde. Estava tão vazia que até metia medo. Agora é sempre uma animação. É tanta gente que é difícil passar. A Baixa ganhou uma vida nova”, alegra-se o comerciante. A transformação é visível. Na Rua Augusta, como em quase todas as outras ruas da Baixa, há centenas de turistas sempre a passar, de chapéu na cabeça, máquina fotográfica ao pescoço e mapa na mão. Enchem os passeios e as estradas, a bordo do 28, à boleia dos tuk-tuk, em cima de segways ou dentro de buggys, sidecars, ‘carochas’ renovados e uma enorme frota de outros veículos coloridos criados para alugar aos viajantes.

Ao passar pela movimentada Rua da Conceição, muitos turistas não resistem a entrar na velhinha retrosaria Bento, uma das lojas mais antigas da Baixa, onde botões de todas as cores e feitios estão guardados em gavetas de madeira, que forram a parede de alto a baixo. “Ainda vão comprando alguma coisa, sobretudo as senhoras francesas, que levam um bordado, uma renda ou um fecho para a mala. É bom para o negócio. Quando vêm cá pergunto-lhes se estão a gostar de Lisboa. Dizem sempre que estão a adorar e vê-se nos olhos deles que é verdade. Fico tão orgulhoso...”, confessa Alfredo, o homem que os vê passar.

Ali perto, na Rua dos Bacalhoeiros, mesmo ao pé do porto de cruzeiros onde diariamente desembarcam milhares de turistas, fica a Conserveira de Lisboa, uma das lojas very tipical da Baixa mais visitadas pelos viajantes. O espaço, aberto em 1930, parece pequeno para receber tantos turistas, que se empoleiram ao balcão a tentar escolher entre as latas coloridas de mexilhão em escabeche ou sardinhas em tomate. Cerca de 60% dos clientes são estrangeiros de visita a Lisboa. Apesar de ser bom para o negócio, Tiago Ferreira, neto do fundador, está preocupado. “Lisboa está num equilíbrio instável no que diz respeito ao turismo de massas. Penso que chegou ao limite da sua capacidade. Mas há a tentação de querer sempre mais. Muitos comerciantes têm receio de ser despejados porque os proprietários são aliciados para vender os prédios para hotéis. Já houve lojas tradicionais que fecharam por causa disso e é preciso cuidado para a cidade não ficar descaracterizada”, alerta.

Tiago tem medo que lojas como a sua venham a ter o mesmo destino da mítica Adega dos Lombinhos, uma pequena tasca que funcionou durante 96 anos na Rua dos Douradores — e que fechou portas no final de 2013 para ser instalado no prédio um hotel de cinco estrelas, um dos 21 novos empreendimentos turísticos já licenciados que deverão abrir na Baixa no próximo ano. O mesmo ia acontecendo com a centenária Ginjinha Sem Rival, nas Portas de Santo Antão, que os proprietários do edifício quiseram despejar para fazer um hotel. A intenção deu polémica, mas acabou por ser travada a tempo, já que a Câmara aprovou o empreendimento, mas exigiu a manutenção do espaço.

Prédios de cara lavada

O secretário de Estado do Turismo garante que não há razão para receios. “Lisboa não vai perder a autenticidade. O turismo até está a reforçá-la. Há hoje muito mais artesãos por causa disso e vendem-se mais produtos típicos e regionais, como as conservas ou a ginjinha. Muito do que agora se quer preservar estava a perder-se e foi recuperado ou valorizado em parte graças aos turistas”, defende. Adolfo Mesquita Nunes reconhece que o boom que o sector está a viver pode trazer desafios, mas rejeita que seja visto como um problema. Ainda assim, diz que o objetivo já não é crescer em número de turistas, mas em receitas por turista, apostando num segmento mais elevado.

Além das receitas para o país, que bateram recordes no ano passado, o turismo impulsionou a veia empreendedora de muitos portugueses. Em 2014, foram criadas todos os meses, em média, 50 novas empresas de animação turística, desde percursos pedestres a desportos radicais, passando por passeios de barco ou tours turísticos. Só este ano, foram criadas mais 333. Por outro lado, frisa o secretário de Estado, “o turismo está a impulsionar um dos maiores movimentos de regeneração urbana em Lisboa”, com a requalificação de prédios antes degradados, para a instalação de hotéis ou de alojamentos locais. Segundo dados da Câmara, até maio tinham dado entrada quase 800 pedidos de licenciamento para obras de requalificação, sobretudo de habitações.

Gonçalo Viana

Numa altura de crise, cada vez mais portugueses alugam as suas casas a estrangeiros, sobretudo nas zonas históricas como Alfama, Castelo, Graça ou Baixa. Só no Airbnb, estão publicitados mais de 1000 apartamentos na capital para arrendar a turistas. Desde que entrou em vigor a lei que regula esta atividade, em novembro do ano passado, todos os dias estão a ser registados, em média, 75 novos alojamentos locais.

Em Alfama, quase não há beco ou viela onde não haja uma casa para arrendamento turístico e dezenas de prédios ou apartamentos estão em obras, em vias de ter o mesmo destino. Todos os dias, turistas arrastam os trolleys pelas estreitas ruas empedradas à procura daquela que vai ser a ‘sua casa’ por uns dias. Além de pouparem dinheiro em relação a uma estada num hotel, sentem-se mais próximos da vida na cidade. Fazem compras na mercearia do bairro, compram pão de manhã e bebem café na pastelaria do lado.

Catarina Diniz, sócia da Home Staging Factory, uma empresa especializada na renovação de apartamentos e na gestão de arrendamentos turísticos, faz o check-in de muitos deles, que chegam de cada vez mais longe. Já não vêm apenas da Europa. Há brasileiros, americanos, canadianos, chineses, japoneses ou de Taiwan. “Vêm à procura da autenticidade que Lisboa ainda preserva, ao contrário de outras capitais europeias. Dizem que tem uma dimensão mais humana e que é mais relaxada do que outras cidades que já visitaram. Falam como se Lisboa tivesse uma aura mágica, com a luz, o Tejo, as ruelas e o fado.”

A empresária de 41 anos não partilha a ideia de que os lisboetas, sobretudo os moradores de bairros históricos onde se localiza a maioria das casas particulares para arrendamento turístico, estão fartos dos viajantes. “Pelo contrário, até mostram um certo carinho por eles”, diz. E tem várias histórias para o comprovar. Um dia, Catarina esqueceu-se de fazer o check-in de um casal de turistas, que calhava à mesma hora do jantar de aniversário da sua mãe. Foi à festa e não ouviu as várias chamadas no telemóvel. Quando, algumas horas depois, se apercebeu do que acontecera ligou aos estrangeiros, que continuavam sem ter como entrar no apartamento que tinham alugado. “Estavam espantados com a hospitalidade das pessoas do bairro. A senhora de uma tasca tinha-os acolhido. Deu-lhes jantar e já estava pronta a dar-lhes dormida na própria casa”, conta.

A marcha dos turistas

Em Alfama, a maioria dos moradores não se queixa dos turistas. “Não chateiam nada. Gostamos que venham porque são um bem para o nosso país. É graças a eles que muita gente agora se governa”, resume Helena Silva, de 77 anos, residente na Rua do Castelo Picão. Com o crescimento do turismo, os pedidos de licença para venda ambulante dispararam no último ano. No Largo das Portas do Sol, onde centenas de turistas, sozinhos ou em excursões, param a todas as horas para fotografar o miradouro, há uma banca de pipocas, um carrinho de gelados e uma senhora que vende águas e refrescos. “Muitos dos nossos residentes têm dificuldades económicas. Estão desempregados ou têm pensões muito baixas e que foram cortadas. No turismo, encontraram uma forma de subsistir, seja na venda ambulante, no pequeno artesanato ou nas casas de fado. Cria muito emprego local”, diz Miguel Coelho, presidente da junta de freguesia de Santa Maria Maior, que abrange Alfama, Castelo e Baixa, as zonas onde mais se concentram os viajantes.

Muitos dos que não tinham trabalho estão agora ao volante dos tuk-tuk, os triciclos motorizados outrora mais associados a cidades como Banguecoque e que invadiram Lisboa nos últimos dois anos. Todos os dias, passam nas ruas de Alfama e do Castelo mais de uma centena, pintados de todas as cores, deixando um rasto de barulho e poluição que está a infernizar a vida dos residentes. Paulo Moreira, um desempregado de 40 anos que há quatro meses comprou um tuk-tuk, evita levar o seu para as ruas mais estreitas do bairro. “Tento dar algum descanso aos moradores porque se queixam bastante. E é compreensível, porque somos cada vez mais”, diz.

Gonçalo Viana

Comprar um destes veículos não ultrapassa os 7500 euros, um investimento facilmente recuperável com o volume cada vez maior de turistas dispostos a pagar 45 euros por uma hora de viagem pelas zonas históricas da capital. Até agora, basta registar o tuk-tuk para poder circular e praticamente não há regras que regulem a atividade. Mas isso vai mudar, garante o presidente da Câmara. Esta semana, Fernando Medina anunciou que, a partir de janeiro de 2017, só poderão circular tuk-tuk elétricos, o que fará reduzir o barulho e a poluição de que se queixam os moradores. Antes disso, serão impostos horários à circulação destas motorizadas, que deixarão de poder andar “em algumas ruas mais apertadas das zonas históricas”.

Pintados com as cores da bandeira nacional, de amarelo a imitar o elétrico 28 ou de branco e azul a simular azulejos, os tuk-tuk sobem todos os dias (em marcha lenta porque o motor não dá para mais) as ruas inclinadas da encosta do Castelo. Depositam os turistas e esperam por eles à porta, mas já não chegam ao interior das muralhas, onde mora Joaquina Inácio, na mesma casa onde nasceu há 81 anos. Passar os dias à janela do rés do chão a conversar com as vizinhas e a acenar aos turistas é agora o seu passatempo.

“Não falo a língua deles, mas digo-lhes sempre bom dia e eles percebem e sorriem. Gostam muito”, conta. Joaquina tem cada vez menos vizinhas com quem meter conversa e cada vez mais estrangeiros a quem diz “Olá”. Nas últimas décadas, o número de moradores no interior das muralhas não parou de cair, até sobrarem muito poucos. “A mocidade não quis ficar aqui. Preferiu arranjar casas mais jeitosas noutros lados porque as nossas parecem casinhas de bonecas. Dos meus três filhos não ficou cá nenhum. Um emigrou para França, o do meio foi para Loures e a mais nova mudou-se para um apartamento moderno em Santo António dos Cavaleiros. Foi o que aconteceu com quase todos os jovens que ainda nasceram cá”, explica a moradora, sempre à janela. “Agora somos muito poucos. Morrendo os velhos, e sete ou oito que também estão na fila, não fica cá ninguém. Este ano, pela primeira vez, já nem se fez a marcha do Castelo. Daqui para a frente, só se forem os turistas a descer a Avenida.”

Dezenas de casas que foram ficando vazias estão agora renovadas e são para arrendamento turístico. No Castelo ou em Alfama já é difícil conseguir arrendar casa para lá viver em permanência. A maioria dos proprietários prefere alugá-las a turistas, conseguindo numa semana a renda que antes cobravam ao mês. “Há cada vez mais casas que estavam escangalhadas e que agora estão bonitas, mas são todas para os turistas. Já não vão para hotéis. Preferem ficar nas casinhas e vivem como nós. Vão à mercearia e até estendem a roupa. Acho tão engraçado ver os vestidinhos delas presos no estendal”, anima-se Ema Marques, de 82 anos, com quem Joaquina passa horas à conversa.

Durante cinco dias, antes de partirem à descoberta do Alentejo e do Algarve onde vão passar o resto da lua de mel, Anneleen e Dries também viveram numa pequena “casinha de bonecas” em Alfama, um rés do chão ao nível da rua onde os miúdos jogam à bola, onde as avós os chamam a gritar e onde há sempre um rádio a ecoar fado de uma janela. Apesar de não terem conseguido, como queriam, evitar outros turistas, muitos outros turistas, durante a sua estada em Lisboa, os dois belgas partiram com a mesma ideia com que chegaram. “É uma cidade de uma beleza extraordinária e tem uma alma muito especial. É autêntica, como já são poucas.”

Em abril, um artigo do “The New York Times”, que considera “obrigatória” uma visita a Lisboa, dizia mais ou menos o mesmo: “A cidade conseguiu algo raro. Reinventou-se sem perder a sua identidade”. Os mais pessimistas poderão perguntar: até quando?