Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Jorge Mendes dá o nó em boda faraónica

  • 333

RUI DUARTE SILVA

Jardins de Serralves fecham domingo ao público para receber a boda do superagente de Cristiano Ronaldo e companhia com Sandra, a mulher com quem vive há 10 anos. Ronaldo é o padrinho e a estrela mais brilhante dos 400 convidados

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Jorge Mendes sobe este domingo, pelas 15h30, ao altar da igreja de São João Baptista, na Foz do Porto, 10 anos depois de ter casado civilmente com Sandra, a sua segunda mulher, mãe de duas filhas e de Jorge Júnior, o benjamim que será batizado após o enlace religioso dos pais. O padrinho do agente que sempre teve olho para o negócio é, obviamente, Cristiano Ronaldo, a joia da coroa da sua recheada carteira de craques e milhões, onde cintilam nomes como José Mourinho, Ricardo Carvalho, Pepe ou Coentrão, que também não faltarão à boda do ano da Invicta.

Para receber 400 convidados, o casal Mendes alugou por 100 mil euros os jardins e anexos do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, onde será servido o festim que trará ainda ao Porto “special guest stars” como o presidente dos galáticos Florentino Pérez, Peter Lim, do Valência, Juan Laporta, ex-presidente do Barcelona, e o dono do PSG, o multimilionário do Qatar Nasser Al-Khelaifi, transportados em jatos privados.

Segundo o “Correio da Manhã”, Cristiano Ronaldo terá comprado uma ilha grega para oferecer aos afilhados, avaliada em mais de 50 mil euros, uma pechincha para a 10º celebridade mais bem paga do mundo, com ganhos na ordem dos 70 milhões de euros no último ano, a fazer fé na revista “Forbes”.

Jorge Mendes, a residir na seleta Foz, a zona dos ricos e famosos para onde quer ir viver o outro casal do momento, Sara e Iker Casilllas, ousou construir um império avaliado em cerca de 500 milhões de euros, liderando a lista de ativos das maiores agências de representação de jogadores. Galardoado já por três vezes como o melhor agente do mundo pela “Globe Soccer”, o dono da Gestifute tem protagonizado as maiores transferências do futebol mundial, casos de Falcao ou Witsel, transferidos do Dragão e da Luz para o Atlético de Madrid e Zenit de São Petersburgo por 40 milhões de euros cada.

Aos 49 anos, o superagente Mendes, como é conhecido em Inglaterra - ou tubarão, como é apelidado em surdina pelos empresários mais pequenos - é o homem do jogo fora do relvado há mais de uma década. Com faro inato para o negócio e lábia de profeta, conquistou a confiança dos mais poderosos líderes dos grandes clubes europeus, do magnata russo Abramovich ao poderoso presidente do Real Madrid.

Cresceu em Lisboa, no bairro da Petrogal, empresa onde o pai era funcionário. A mãe, doméstica, faleceu em 2009, o mesmo ano em que perdeu o irmão mais velho. Aos 21 anos, foi jogar futebol, a médio esquerdo, para o Vianense, mas seis meses após sair de casa abriu um clube de vídeo em Viana com a ajuda do irmão, que lhe emprestou mil contos (5 mil euros). Fanático por cinema, via um filme por noite, sendo fã incondicional de Robert de Niro, Sean Penn e Denzel Washington.

Ainda jogou no Caminha e no Lanhazes, equipa que jogava na II divisão, e resolveu fazer uma proposta aos dirigentes locais: jogava de borla, mas a publicidade estática, inexistente no clube, ficava para ele. A seguir foi gerir o Luzia-mar, complexo turístico de restaurantes, bares e discotecas. No Minho abriu ainda uma hamburgueria, altura em que pendurou de vez as chuteiras.

O primeiro negócio mediático foi como agente do guarda-redes Nuno Espírito Santos, na altura do Guimarães, que conheceu na discoteca Alfândega, em Caminha, hoje treinador do Valência pela mão do amigo de longa data. Vinte e cinco anos depois de uma carreira sempre ascendente, Jorge Mendes continua frenético, capaz de voar para três países num mesmo dia, em carreira regular ou em avião privado.

A ascensão do português já lhe valeu alguns processos judiciais em em tribunais em Londres e no Porto, mas até hoje saiu airosamente de cena, por falta de provas ou por acordo entre as partes.

Há dois anos, o “The Guardian” revelou que Mendes estaria envolvido na angariação de participações em fundos de investimento que detêm passes de jogadores, violando os regulamentos da FIFA. A Gestifute sempre refutou as acusações, nunca provadas.

No fim da década de 2000, a empresa britânica Formation Group PLC, colaboradora da Gestifute em Inglaterra, também processou Jorge Mendes por alegadamente não ter pago comissões acordadas pela transferência de jogadores. Nos processo, os ingleses juntaram provas de que Mendes teria recebido comissões de 400 mil euros pelas transferências para o Chelsea de Tiago, Paulo Ferreira e Ricardo Carvalho, mas que paralelamente teria recebido 2,45 milhões de euros do clube para servir de baby-sitter aos jogadores, garantindo que manteriam um estilo de vida adequada à profissão fora dos relvados.

Pelo menos publicamente, não há queixa por parte dos representados dos serviços prestados por Jorge Mendes, quer como empresário da bola ou como ama-seca milionária.