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Videojogo “made in Portugal” chega à maior palataforma mundial (onde Varoufakis já trabalhou)

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Ashlyn, a heroína "portuguesa" é criação de uma pequena equipa do Porto que chegou aos maiores palcos do mundo

GS78

Os rapazes do estúdio GS78 são do Porto e lançaram esta quarta-feira “Hush, Into Darkness” na maior plataforma de distribuição do mundo: a Steam, onde Varoufakis trabalhou até ser nomeado ministro das Finanças da Grécia

O sonho de Rogério Ribeiro começou em 2013, quando este portuense decidiu tentar a sorte no competitivo mundo dos videojogos. A aventura não foi fácil, e as primeiras tentativas de financiamento falharam redondamente. No caso do jogo “Kickstarter”, só conseguiu juntar 2700 euros dos 100 mil que precisava; no “Indiegogo” o resultado ainda foi pior, ficando-se pelos 1700 euros.

A sorte mudou com o jogo “Hush, Into darkness”, que foi apresentado esta quarta-feira em Lisboa e está numa megaplataforma mundial apoiada pela Microsoft.

A heroína deste jogo é Ashlyn, uma pequena rapariga que ficou trancada num orfanato abandonado. Para fugir, Ashlyn precisa da ajuda do seu macaco de peluche GoGo, e tem de enfrentar os pesadelos e puzzles que governam o orfanato.

Em conversa com o Expresso, Rogério Ribeiro fala com orgulho da sua criação. “Decidimos criar uma personagem feminina, que consideramos ser uma das áreas mais problemáticas nos videojogos. Uma personagem com uma identidade própria”.

Segundo o criador, o jogo procura em todos os aspetos ter uma identidade própria - um dos principais valores da companhia. A arte é “simples e cartoonesca”, mas de alta qualidade pela mão de David Rodrigues, sendo depois modelada em 3D por Frederico Jesus e Rui Sereno no design gráfico. Todos estes são membros fundadores do estúdio português GS78.

Os rapazes do estúdio GS78, criadores de Ashlyn

Os rapazes do estúdio GS78, criadores de Ashlyn

Facebook/ GS78

De autoria nacional, o som é outra das componentes importantes do jogo, que cria o ambiente, realça o estilo e marca o tom. Enredo e texto são da responsabilidade de José Fernandes.

A história exigiu longas horas de pesquisa. “Falávamos todos de pesadelos e sonhos de crianças, e quando demos por isso, vimos que muitas têm o mesmo tipo de medos, pesadelos. Decidimos criar inimigos em volta disso” conta-nos Rogério Ribeiro.

Este jogo “made in Portugal” vai estar disponível em todas as plataformas. Além das principais consolas, vai estar no mercado iOS da Apple, e Android da Google. Por fim, estará no PC.

O futuro augura-se luminoso para os rapazes do estúdio GS78. Apesar disso, os seus fundadores mostram-se cautelosos. Têm ideias para novos projetos mas neste momento concentram todos os esforços na promoção de “Hush”: “Estamos à espera da resposta do público. Este é o primeiro episódio da aventura de Ashlyn, e temos muito mais material planeado para este mundo caso tudo corra bem”, explica Ribeiro.

Depois de terem falhado os primeiros financiamentos, a sorte do estúdio GS78 começou a mudar quando a equipa de Ribeiro conseguiu uma parceria com a “The Game Wall Studios”, que proporcionou o investimento necessário e o apoio da Microsoft para o lançamento do “Hush, Into Darkness” na E3, a maior feira do mundo de videojogos, que este ano teve cerca de 50 mil visitantes.

Mais tarde foi a vez de a Steam levar o jogo ao público. Primeiro através do seu programa Greenlight - uma votação onde jogadores escolhem os jogos que querem ver a ser vendidos na plataforma - e agora pondo à venda o jogo português num mercado com 125 milhões de utilizadores, e oito milhões de jogadores online a qualquer hora do dia.

Por enquanto é tempo de celebrar. Depois de dois anos de luta para tornar “Hush, Into Darkenss” uma realidade, o jogo foi apresentado esta quarta-feira nos maiores mercados do mundo. E desses, a Valve e a Steam são provavelmente os maiores.

GS78

Varoufakis e os videojogos

A plataforma Steam faz parte da companhia Valve, fundada por Gabe Newell - antigo funcionário da Microsoft - em 1996. Em 2003, o sucesso da produtora levou à criação da primeira plataforma não só de gestão de produtos Valve, como de distribuição digital de videojogos.

Em 2011, a empresa foi considerada a maior distribuidora digital de videojogos no mundo pela “Forbes”. Segundo rdta publicação, a Steam (e a Valve) detém 70% do mercado e 100 milhões de utilizadores, fazendo nesse ano cerca de 780 milhões de euros em lucro.

A empresa teve tanto sucesso que em 2012 precisou de contratar um economista. O nome escolhido foi o de Yanis Varoufakis, antigo ministro das Finanças grego, que na altura nunca tinha trabalhado fora de um ambiente académico. O grego geriu as contas e a economia interna dos jogos da Valve, até ser chamado para o governo de Alexis Tsipras em janeiro de 2015.