Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Saúde sem melhoras no programa PSD/CDS

  • 333

FOTO Nuno Fox

Propostas da coligação para a próxima legislatura não têm novidades. Mantêm o que já está a ser feito e reiteram o empenho no que ficou por fazer

Os portugueses não vão ser surpreendidos pelo prognóstico da Saúde para os próximos quatro anos caso a coligação PSD/CDS vença as eleições legislativas. As propostas e até as promessas sobre o que falta cumprir são as mesmas.

A meia dúzia de ideias principais é encabeçada pela repetida promessa, diga-se de sucessivos ministros da Saúde, de dar um médico de família a todos os utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Paulo Macedo tinha prometido fazê-lo até ao final da legislatura e falhou. Números recentes divulgados pela Administração Central do Sistema de Saúde revelam que no final do ano passado existiam 1.478.271 portugueses sem um clínico assistente nos cuidados primários. O novo horizonte é agora até 2017.

Segue-se a devolução dos hospitais às misericórdias. Outra medida que já vem de trás e que precisa de mais fôlego para sair do papel. Estas unidades poderão dar apoio nas áreas onde as lacunas são maiores, como os cuidados continuados e paliativos, permitindo diminuir os “doentes sociais” internados nos grandes hospitais. Ainda não passou do que parece ser uma boa ideia.

O futuro é negro no que respeita ao envelhecimento da população portuguesa e apostar na assistência aos mais velhos é mais do que uma promessa eleitoral. É uma necessidade. A coligação reafirma, por isso, que quer aprofundar “o papel do enfermeiro de família na prevenção da doença e na aproximação aos utentes, nomeadamente idosos”. Quatro anos depois, a maior parte da questão burocrática está resolvida, inclusive com os médicos a cederem na questão de prescrição de alguns exames através do sistema de triagem nas urgências. Há projetos no terreno, mas nada que se ajuste às necessidades.

A melhoria da oferta dos cuidados públicos de saúde não é referida. Ainda assim, a coligação que reforçar a livre escolha no âmbito do SNS. Mais uma vez, uma aparente boa ideia que ainda não evoluiu. Os utentes do SNS continuam circunscritos às áreas de referência das unidades e é a morada e não a sua escolha que determina o médico que terão - ou não.

Com acesso facilitado aos cuidados, os beneficiários da ADSE poderão vir a ser mais. O PSD e o CDS querem que o subsistema de saúde da administração pública - que uma auditoria recente do Tribunal de Contas mostrou ser um bom negócio para o Governo - seja alargado aos trabalhadores do Estado com contrato individual de trabalho. A concretizar-se, serão mais os clientes nas unidades privadas. A medida é uma novidade, a única entre as propostas gerais apresentadas.

Por fim, é referido o sector do medicamento. O programa da coligação não fala em mais descidas de preços, apenas em ter mais portugueses a optar por genéricos. O objetivo é aumentar a atual quota de mercado, acima dos 45%, para 75%.