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James Palmer. O homem que matou Cecil é agora o mais odiado da net

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À porta do consultório de James Palmer - encerrado - foi criado uma espécie de memorial, recordando Cecil

REUTERS

A petição online que exige justiça e soma já 370 mil assinaturas é apenas uma das manifestações na net contra o dentista norte-americano que matou o leão mais famoso do Zimbabué. Em várias línguas, a indignação repete-se no Twitter, no Facebook e nas páginas pessoais e profissionais do próprio médico

Desde que foi divulgado o nome do responsável pela morte de Cecil, o leão atraído para fora da reserva onde se tornou famoso, no Zimbabué, a ira generalizada que o crime provocou passou a ter uma única direção: Walter James Palmer.

O dentista norte-americano, que já se desculpou pelato, alegando não saber tratar-se de um animal protegido e pensando estar a caçar legalmente, tornou-se a pessoa mais odiada na internet. Enquanto rapidamente aumentam as assinaturas na petição online exigindo ao Presidente Robert Mugabe que se faça justiça - a meio desta tarde eram quase 370 mil - as páginas online da clínica de James Palmer foram inundadas de comentários hostis, até ficarem inacessíveis. O mesmo aconteceu na sua conta pessoal no Facebook, rede onde outras páginas surgiram, criadas com o o nome do dentista, mas que nada têm a ver com o próprio, e destinadas apenas a recolher (em várias línguas, com expressões nem sempre traduzíveis em nome do decoro e com quase todos os graus de condenação) as mensagens da imensa indignação que corre pelo mundo.

Em nada a fúria foi apaziguada pelo comunicado divulgado na terça-feira por Palmer, cujo paradeiro continua incerto por estes dias. O seu consultório no Minnesota está fechado, com um aviso assinado por uma empresa de relações públicas colado na porta, tendo o espaço sido transformado numa espécie de memorial em honra de Cecil. Há mensagens várias, animais de peluche encostados nas paredes exteriores da clínica e muitos habitantes locais não se furtam a dar a cara, contra o médico, quando questionados pelos jornalistas que por ali passam.

“Desloquei-me ao Zimbabué para um safari de caça grossa. Contratei vários guias profissionais, que me asseguraram todas as licenças. Tanto quanto é do meu conhecimento, tudo nesta viagem foi feito de forma legal, devidamente organizado e realizado”, assegura Palmer no comunicado que escreveu, onde lamenta o sucedido e se diz disponível para falar com as autoridades.

A avaliar pelas reações na internet, ou não acreditam nele, ou o seu arrependimento vale pouco face ao crime em questão. Até as figuras públicas se aliaram contra o caçador. Estrelas como o comediante britânico Ricky Gervais, que por baixo de uma foto de Cecil, tweetou: “Tenho dificuldade em pensar em alguma coisa mais bonita do que isto”.