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Padre Roberto nega chantagens e missas oficiosas

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Igreja de Canelas, antiga paróquia do padre Roberto Carlos

Rui Duarte Silva

Ministério Público arquiva investigação contra o padre Abel Maia, pároco em Fafe, acusado de abusos sexuais. O autor das denúncias, o polémico padre Roberto Carlos, mantém-se em silêncio, mas a associação onde o pároco celebra missas privadas, em Canelas, fala em “prescrição dos factos”

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

As denúncias feitas pelo padre Roberto Carlos, antigo padre de Canelas (Vila Nova de Gaia), foram arquivadas no início do mês pelo Ministério Público. O pároco acusava o padre Abel Maia, de Fafe, de abusos sexuais de menores.

"A investigação abarcou o percurso profissional do denunciado de 1992 a 1994, de 2001 a 2003 e de 2008 a 2014 e o arquivamento baseou-se, quanto aos dois primeiros períodos temporais, na extinção do procedimento criminal por prescrição, na ausência de qualquer queixa por parte de eventuais vítimas e na ausência de indícios de se terem verificado os factos denunciados, e quanto ao terceiro período, na ausência de indícios", refere o DIAP da Comarca de Porto Este.

Para Miguel Rangel, o líder da Associação UCR!, de Canelas, que tem promovido algumas missas privadas do padre Roberto Carlos, "este acórdão, tal como a água benta, cada um toma o que quer". O responsável diz querer acreditar que com base em relatos privados de jovens à altura dos factos, em Coimbra, o arquivamento do MP se deve à prescrição dos factos e também por não terem sido denunciados pelas vítimas "por embaraço".

Miguel Rangel garante ser "falso" ter havido qualquer tipo de chantagem neste processo por parte do padre Roberto Carlos, que até ao momento se tem mantido incontável. Em resposta ao jornal "i", que esta segunda-feira publicou uma reportagem sobre o caso, a associação diz não existirem "missas oficiosas" celebradas pelo padre Roberto Carlos, como havia sido noticiado pelo jornal - mas reconhecem a existência de "missas privadas". No site da UCR! (que significa Associação Cultural e Humanitária) há várias fotos do pároco numa missa ao ar livre.

E acrescentam que o padre, "até contrariamente à vontade de boa parte da comunidade local, tem mantido um comportamento sereno e reservado sobre a sua própria situação de sofrimento".

Segundo o jornal "i", o padre pode vir a sofrer consequências pelo arquivamento do inquérito, e a ter de enfrentar vários processos, canónicos e civis. Para os canonistas ouvidos pelo jornal, Roberto Carlos arrisca-se, no limite, a ser suspenso.

Há cerca de um ano, o bispo do Porto comunicou que Roberto Carlos teria de ser transferido para a paróquia de Lousada ou para Marco de Canaveses. Desde então, mantém um braço de ferro com a hierarquia eclesiástica, contando com o apoio de grande parte da população de Canelas. Pelo meio, surge uma carta onde o pároco revela alegados abusos sexuais a menores do padre Abel Maia, de Fafe. O Ministério Público investigou a denúncia e um ano depois decidiu arquivá-la.

O Expresso tentou obter um comentário da diocese do Porto, mas até ao momento tal não foi possível.