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Porque se sincronizam os relógios de pêndulo? Cientistas portugueses descobriram o segredo

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Christopher Furlong

Uma equipa de investigadores do Departamento de Física e Matemática do Instituto Superior Técnico descobriu a explicação para um problema com mais de três séculos: a sincronização dos pêndulos de dois relógios dispostos lado a lado deve-se à troca de impulsos sonoros entre eles

Helena Bento

Jornalista

Enquanto estava deitado na cama a recuperar de uma doença grave, o físico holandês Christiaan Huygens, inventor do relógio de pêndulo, reparou que, a partir de certa altura, independentemente da posição de partida, os pêndulos dos relógios colocados na parede do seu quarto acabavam sincronizados, mantendo-se em "oposição de fase": um pêndulo ia para a esquerda, enquanto o outro ia para a direita. Corria o ano de 1665.

Huygens ficou curioso, tentou encontrar uma explicação para o fenómeno, mas não chegou a qualquer conclusão. Ao fim de 350 anos, eis que chega finalmente a resposta. E com assinatura portuguesa.

A partir de um modelo matemático baseado num “pressuposto muito simples”, Luís Melo e Henrique M. Oliveira, investigadores dos Departamentos de Física e Matemática do Instituto Superior Técnico, chegaram à conclusão que o pêndulo de um relógio, "num dado ponto do ciclo", e em determinadas condições (relógios com frequências muito próximas presos a um suporte fixo considerado um bom condutor de som, como o alumínio), transfere energia a outro através de impulsos sonoros.

Mecanismo que permitiu à dupla de investigadores avaliar as posições dos pêndulos dos relógios e retirar conclusões sobre a sincronização dos mesmos

Mecanismo que permitiu à dupla de investigadores avaliar as posições dos pêndulos dos relógios e retirar conclusões sobre a sincronização dos mesmos

D.R.

O que parece ter sido uma investigação planeada ao longo de anos não começou senão “por acaso”, conta Luís Melo ao Expresso. Numa “conversa de café” com Henrique M. Oliveira, este falou-lhe sobre o assunto e decidiram ambos avançar com a experiência de colocar dois relógios lado a lado para perceber se o modelo matemático (elaborado por Henrique M. Oliveira) podia ou não ser aplicado ao movimento dos pêndulos.

A investigação, cujos resultados foram apresentados esta quinta-feira na publicação online Scientific Reports, permitiu não só encontrar resposta para um problema com centenas de anos, como motivar outros estudos com base no mesmo modelo matemático, que pelas suas características é “aplicável a sistemas completamente diferentes”, como os osciladores eletrónicos em que trabalham atualmente.