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Congressistas apelam a revisão do processo da base das Lajes

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Carta de 112 congressistas considera que Lajes foi sobreavaliada e exige suspensão imediata de obras na base de Croughton

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

A embaixada americana em Portugal já se disponibilizou a fornecer todas as informações requisitadas pelo presidente do Comité de Supervisão do Congresso dos EUA e apoiar qualquer visita oficial a Portugal e à base das Lajes, tendo em vista garantir uma partilha transparente de informação sobre a base, disse ao Expresso fonte oficial da Embaixada.

Esta semana, o embaixador em Lisboa, Robert Sherman, entre outros, recebeu uma carta do presidente do Comité de Supervisão do Congresso, intimando-o a revelar todas as comunicações, análises e relatórios relativos à base das Lajes. O Comité, que investiga atos e comportamentos eventualmente criminosos da Administração, considera que pode ter havido manipulação de dados ou desinformação sobre as Lajes, que levaram à decisão do Pentágono de a excluir como local alternativo para albergar o Centro Conjunto de Análise de Informações.

No âmbito da reorganização das forças militares americanas na Europa, anunciada em janeiro pelo Departamento de Defesa, foi decidido que aquele centro, que reúne mais de mil analistas, seria localizado na base de Croughton, na Grã-Bretanha, o que implicaria um custo de mais de 300 milhões de dólares.

A reorganização determinou também o encerramento de várias bases na Europa e a redução das Lajes. Além do pessoal civil português, os americanos propõem-se diminuir o atual contingente de 650 militares para aproximadamente 150.
Mas uma proposta do Congresso, por impulso do presidente do Comité de Intelligence, o lusodescendente Devin Nunes, veio sugerir há alguns meses que, ao contrário do que pretendia o Pentágono, a melhor e mais barata localização para o centro de análise devia ser as Lajes. Nunes sempre se bateu por uma “reorientação da base”, que não pode ser apenas uma “bomba de gasolina do tio Sam”.

Em declarações ao Expresso, em junho, o congressista afirmou que as Lajes eram não só “a melhor localização estratégica da Terra”, como a mais segura, do ponto de vista de uma instalação sensível. Quanto a custos, Nunes dizia que essa opção permitiria poupar entre 500-800 a mil milhões de dólares.

Exigência dos congressistas

A dar força à argumentação de Devin Nunes, foi ontem divulgada uma carta assinada por 112 congressistas, democratas e republicanos, onde se propõe que todas as construções em Croughton sejam suspensas de imediato, até se concluir a investigação do Comité de Supervisão. Na carta, diz-se que a decisão do Pentágono pode estar minada por “desperdício, fraude e abuso”, e que por essa razão foi aberta a investigação.

A iniciativa é mais um movimento no braço de ferro entre o Congresso e a Administração. Já na sua carta é o próprio presidente do Comité de Supervisão que levanta a suspeita de que a decisão de instalar em Croughton o Centro de Análise foi “tomada de forma inadequada”, por não terem sido consideradas outras instalações, incluindo as Lajes. Jason Chaffetz diz que segundo os números do Pentágono, o upgrade desta base já custou 148 milhões de dólares e o encerramento de parte dela agora estima-se em 100 milhões. Um estudo preliminar do Comité de Intelligence, comparando os custos de Croughton e das Lajes, dá um saldo a favor desta: menos 505 milhões de dólares.

Para já, o Governo português não se pronuncia, entendendo que é um assunto do foro interno americano, mas fonte diplomática reitera que “Portugal espera naturalmente que os EUA possam reforçar a sua presença institucional nas Lajes”.