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Operação Lava Jato / PT: ex-políticos, acionistas e gestores investigados pela PGR

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Joana Marques Vidal, procuradora-geral da República

TIAGO PETINGA / Lusa

Ministério Público está a investigar, em colaboração com as autoridades brasileiras, a operação de venda da Vivo pela PT à espanhola Telefónica e a entrada dos portugueses na Oi, com ramificações à operação Lava Jato. São negócios que remontam a 2010

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirma investigações sobre a operação Lava Jato e também sobre o caso relacionado com a PT. Em comunicado, o gabinete da PGR refere que recebeu das autoridades brasileiras um pedido de cooperação judiciária internacional, através de carta rogatória.

A solicitação insere-se no âmbito da operação Lava Jato. A PGR acrescenta que existem investigações em curso relacionadas com a PT, as quais se encontram em segredo de justiça.

"No âmbito destas investigações, e de outras que venham a revelar-se pertinentes, o Ministério Público não deixa de investigar todos os factos com relevância criminal que cheguem ao seu conhecimento", conclui a PGR.

O Ministério Público quer apurar o envolvimento de ex-governantes, acionistas da PT e gestores no negócio de venda da participação da PT na Vivo à Telefónica, por 7,5 mil milhões de euros, e posterior entrada da Portugal Telecom na brasileira Oi. Os negócios foram realizados em 2010.

A PT vendeu a Vivo aos espanhóis depois de José Sócrates, então primeiro-ministro, ter dito que só daria "luz verde" ao negócio se a operadora portuguesa viesse a encontrar outra alternativa no Brasil. A Oi foi a operação encontrada e a PT pagou 3,75 mil milhões de euros para comprar 23% do operador histórico brasileiro.

O comunicado da PGR vem confirmar a notícia do "Público" desta terça-feira de manhã: a Justiça portuguesa está a investigar o envolvimento político no negócio de venda das ações da PT à brasileira Vivo e o cruzamento de posições acionistas com a Oi, operação em que interveio José Dirceu, o principal rosto do Caso Mensalão e agora atingido também pela operação Lava Jato. Dirceu, o homem que tratou da campanha de Lula Silva à presidência do Brasil e que foi o chefe da Casa Civil, está detido desde 2012 no âmbito do caso Mensalão.

José Dirceu terá mantido contactos entre os acionistas da PT e da Oi, na altura em que o negócio foi realizado, e umas das pessoas com quem terá falado foi Otávio Azevedo, representante da Oi na PT e hoje detido por causa do caso Lava Jato.

Segundo o "Público", as investigações do Ministério Público poderão estar relacionadas com "movimentos financeiros que envolvam gestores da PT e governantes portugueses e brasileiros em 2010, durante o negócio de venda à Telefónica de ações da Vivo (50%) detidas pela PT e consequente entrada da brasileira Oi na PT e da PT na Oi". Os negócios podem envolver cerca de 200 milhões de euros de comissões alegadamente pagas a ex-políticos, acionistas e gestores de Portugal e do Brasil.

Paralelamente, as autoridades brasileiras estão a investigar as ligações de Lula da Silva à Odebrecht, num processo de alegado tráfico de influência junto de políticos estrangeiros para favorecer a construtora. Lisboa também está no mapa: o ex-presidente do Brasil terá falado com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, sobre o interesse da Odebrecht na privatização da EGF. Passos Coelho já veio dizer que "não houve nenhuma tentativa de cunha" para a Odebrecht por parte de Lula da Silva.