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Menina nascida com HIV está livre do vírus há mais de 12 anos

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A notícia, dada na conferência internacional sobre a sida, volta a suscitar a esperança sobre futuros tratamentos

Luís M. Faria

Jornalista

Uma rapariga que nasceu de uma mãe portadora de HIV, e que recebeu medicamentos contra o vírus da sida até aos seis anos de idade, está livre deste há mais de 12 anos. Livre, não no sentido de não ter o HIV no corpo, mas de ele não ser encontrável para já.

O caso, que acontece pela primeira vez, foi revelado na Conferência Internacional da Sociedade da Sida, a decorrer em Vancouver, no Canadá.

Já havia casos anteriores de crianças nascidas com HIV que pararam de tomar medicamentos e não apresentaram sintomas durante algum tempo. Mas o limite até agora era de 27 meses. Existe igualmente um número muito pequeno de adultos nessa situação. O que torna única a adolescente francesa referida neste caso, que não foi identificada, é a sua idade - tem agora 18 anos - e o tempo que conseguiu viver sem o vírus ser detetado no seu corpo.

Sabe-se que começou a receber um medicamento para o HIV pouco depois de nascer. O vírus foi detetado às quatro semanas, altura em que passou a ser usada uma combinação de quatro drogas. A carga viral atingiu o nível máximo quando a bebé tinha três meses. Aos seis anos, perante a ausência de sintomas, os pais decidiram interromper a medicação. Um teste realizado um ano depois, e que também deu negativo, confirmou a decisão.

Asier Saez-Cirion, o médico do Instituto Pasteur (Paris) que foi responsável pelo estudo, explica que a pessoa em causa não está curada, mas apenas em remissão. Embora neste momento não seja possível localizar o vírus no seu corpo, encontram-se “sinais biológicos” dele. O importante é perceber que características daquele sistema imunitário têm permitido a sua supressão.