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Ataque de “hackers” deixa 37 milhões de infiéis com coração nas mãos

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D.R.

O slogan diz “Life is Short. Have an Affair”, mas há quem prefira a nova versão: "Life is Short. Don't Hide the Affair. Dois dias depois da divulgação de informações pessoais dos utilizadores do maior site de relações extraconjugais do mundo, os seus donos vêm novamente pedir desculpa. Enquanto o site continuar a funcionar, os piratas informáticos garantem que até os fetiches sexuais dos clientes serão revelados

Dois dias depois de um grupo de “hackers” ter divulgado informações sobre os utilizadores do site de relacionamentos extraconjugais Ashley Madison, a empresa-mãe, a canadiana Avid Life Media, pede desculpa pela segunda vez e oferece aos seus clientes (mais de 37 milhões) a opção de apagarem por completo as suas contas de utilizador.

Esta opção custa normalmente 19 dólares (cerca de 17 euros) mas é “completamente falsa”, de acordo com o manifesto divulgado pelos “hackers”.

“Quase sempre os utilizadores pagam com o cartão de crédito, mas, ao contrário do prometido, os detalhes da inscrição não são removidos. Aqui, incluem-se nomes e moradas reais que, claramente, são as informações mais importantes que os utilizadores querem ver removidas”, defende o coletivo de piratas informáticos que autointitula Impact Team.

Segundo o grupo, a falsidade desta promessa é a principal causa da invasão ao site de relacionamentos, cujo o slogan é “Life is Short. Have an Affair” (a vida é curta, tenha um caso extraconjugal).

Impact Team exige fecho de dois sites

A oferta da opção “full delete” (apagar tudo) poderá já não fazer muito sentido dado que os “hackers” continuam na posse dos dados, consideram alguns analistas. E lembram a ameaça do Impact Team de divulgar informações diariamente enquanto não forem encerrados o Ashley Madison e o Established Man - site pertencente à mesma empresa, utilizado por homens mais velhos para encontrar mulheres jovens. Os piratas informáticos ameaçam divulgar desde informações relativas aos utilizadores (nomes, moradas, fetiches sexuais, etc.), passando pelos dados pessoais dos colaboradores e até detalhes financeiros da Avid Life Media.

A empresa-mãe, sediada em Toronto, classifica o incidente como “ato de ciberterrorismo” e garante ter eliminado todos os dados divulgados pelos “hackers”. Segundo Noel Biderman, diretor-executivo da Avid Life Media, a investigação para se descobrir a identidade dos autores deste ataque informático prossegue. O responsável da empresa sugere que poderá tratar-se de um “trabalho interno” por parte de alguém que conhecia bem a empresa e que, pelo menos uma vez, teve acesso à base de dados.

Moral perfeita ou chantagem ideal?

A mensagem deixada pelos “hackers” apoia esta teoria. O Impact Team pede desculpa ao diretor de segurança da empresa, dizendo que apesar dele ter feito o seu melhor o incidente era inevitável.

O grupo não esconde ainda o seu repúdio pela falta de moralidade tanto dos donos do Ashley Madison como dos seus utilizadores. “Não temos pena nenhuma daqueles homens, eles são canalhas e traidores e não merecem discrição”, lê-se no manifesto.

Por outro lado, há também quem defenda que a exigência dos “hackers” de encerrar os sites é uma farsa. Na realidade, o verdadeiro objetivo poderá ser a utilização da informação roubada para chantagear os seus utilizadores.

Portugal tem 120 mil infiéis

Segundo a edição desta terça-feira do “Correio da Manhã”, o incidente também afeta o nosso país: cerca de 120 mil portugueses estão inscritos no Ashley Madison.

As médias de idades são de 41 anos nos homens e 33 nas mulheres que, ao que parece, perfazem a maior parte dos traidores portugueses.

Ashley Madison autointitula-se o “nome mais famoso no ramo da infidelidade” e diz-se detentor do prémio de Segurança de Confiança. Uma segurança que não parece suficiente e que poderá ter grandes custos para a empresa, A Avid Life Media tinha anunciado a intenção de entrar no mercado acionista britânico, mas com esta fuga de dados o número de interessados em comprar as suas ações baixou drasticamente.

Boa altura para ser advogado de divórcio?

Mas enquanto uns se preocupam com a possível divulgação de mais uma lista de nomes, outros ocupam o tempo a brincar com a situação. Ora veja: