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O dia D de Armando Vara

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Armando Vara foi condenado em 2014 a cinco anos de prisão, no processo Face Oculta

Rui Duarte Silva

D de domiciliária. Pode ser esta quarta-feira o dia em que Armando Vara vai para casa com pulseira eletrónica. Na pior das hipóteses, o ex-ministro só sai da prisão da PJ na sexta-feira

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Editor de Sociedade

O relatório dos serviços de reinserção sobre a instalação da vigilância electrónica em casa de Armando Vara chegou na tarde desta terça-feira ao Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC). E durante o dia de hoje o juiz Carlos Alexandre poderá autorizar a saída da prisão do ex-ministro do PS.

Ainda assim, não é certo que Vara regresse esta quarta-feira a casa, com pulseira eletrónica. A lei dá um prazo de três dias ao juiz para o fazer. Na pior das hipóteses, o ex-governante só sai da cadeia anexa à PJ na próxima sexta-feira.

O juiz do TCIC considerou, no final da semana passada, que o ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos (CGD) deveria ficar em prisão domiciliária, com pulseira eletrónica, proibindo-o de contactar com os oito arguidos da Operação Marquês. O argumento para a aplicação desta medida de coação foi da possibilidade de Vara vir a poder perturbar a investigação. Para o Ministério Público o perigo de fuga é considerado baixo.

No início da semana, os técnicos da Direcção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais estiveram no apartamento de Vara, situado no centro de Lisboa, a avaliar as condições para a instalação do equipamento eletrónico. O Expresso sabe que existem todas as condições técnicas para a prisão domiciliária.

Desde que foi detido na quinta-feira, Armando Vara passou seis noites na cadeia. A primeira no Comando Metropolitano da PSP em Moscavide e as restantes no estabelecimento prisional anexo à Polícia Judiciária. Na mesma cela onde esteve outro dos nove arguidos no caso, Carlos Santos Silva.

O ex-administrador da CGD está indiciado por crimes de corrupção passiva, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais na Operação Marquês, que tem José Sócrates no epicentro da investigação. O MP suspeita do papel de Vara na aprovação do empreendimento turístico de Vale do Lobo, no Algarve, através do Plano Regional de Ordenamento do Território do Algarve (Protal). E que tenha ficado com uma parte das comissões do milionário negócio imobiliário que veio a revelar-se ruinoso.

Tiago Rodrigues Bastos, o advogado de Vara, garantiu ao Expresso que vai recorrer desta medida de coação e pedir a liberdade para o seu cliente.

O ex-ministro de António Guterres foi condenado em setembro do ano passado a cinco anos de prisão efetiva, por três crimes de tráfico de influência no processo Face Oculta. A defesa recorreu da sentença e por isso Vara aguarda em liberdade uma resposta dos tribunais.