Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Ex-comandante da Proteção Civil condenado a prisão com pena suspensa e a pagar €100 mil ao Estado

  • 333

Antonio Pedro Ferreira

Estava acusado de ter montado um esquema que desviou mais de cem mil euros do Estado destinados ao combate aos incêndios para pagar despesas suas, de familiares e amigos

O Tribunal Criminal de Lisboa condenou esta segunda-feira o ex-comandante nacional da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC) Gil Martins a quatro anos e seis meses de prisão, suspensa na execução pelo mesmo período, por peculato.

Gil Martins foi condenado a pagar ao Estado 102.537 euros e como pena acessória fica proibido de exercer a função de comandante operacional durante quatro anos. O arguido foi absolvido do crime de falsificação de documentos de que vinha acusado.

O comandante operacional nacional da Protecção Civil, Gil Martins, estava acusado de ter montado um esquema que desviou mais de cem mil euros do Estado destinados ao combate aos incêndios para pagar despesas suas, de familiares e amigos. A maior parte do dinheiro foi gasto em restaurantes de luxo. Durante o julgamento, Gil Martins gabou-se de gastos de 80 milhões de euros sem prestar contas: "O meu teto de despesas eram 80 milhões de euros, sem ter de justificar nada a ninguém". A bravata valeu-lhe uma reprimenda da juíza: “Mas passa pela cabeça de alguém dizer isso?!”.

Segundo o acórdão, Gil Martins apresentou várias faturas diferentes de refeições para o mesmo dia. Num dia gastou 248 euros numa marisqueira em Espinho, noutro 210 num restaurante do Guincho. Nas buscas, a polícia apreendeu telemóveis, uma máquina fotográfica, um leitor de DVD e uma televisão, tudo comprado com dinheiro dos contribuintes. Gil Martins reclamou sempre inocência e vai recorrer da sentença.