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Portugal de Emílio Biel na Casa do Infante

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Porto: Padeiras de Avintes

Exposição assinala os 100 anos da morte do fotógrafo que marcou a sociedade portuense do final do século XIX e início do século XX

Para assinalar os 100 anos da morte de Emilio Biel, comerciante, industrial e fotógrafo com uma obra marcante pelo modo como retratou a sociedade portuguesa no final do século XIX e no princípio do século XX, a Câmara Municipal do Porto inaugura esta sexta-feira, a partir das 18h, na Casa do Infante, a exposição "O Portugal de Emílio Biel". Em simultâneo será lançado um livro dedicado à obra do fotógrafo.

O município do Porto possui parte do espólio que pertenceu à firma Emílio Biel & Cº. De um universo de 100 mil espécies fotográficas existentes à data do encerramento da casa Biel, deram entrada no Arquivo Histórico Municipal, nos anos de 1980, 546 espécies fotográficas, constituídas por negativos de vidro, películas e albuminas. 

Comerciante e industrial, Emílio Biel, nascido em Amberg, na Baviera, em 1839, estabeleceu-se em Lisboa em 1857 como empregado da casa Henrique Schalk. Três anos depois transfere-se para o Porto, mas a partir de 1864 decide estabelecer-se por conta própria e funda uma fábrica de botões. Em simultâneo representava várias empresas alemãs.

Como industrial, teve responsabilidade na eletrificação de Vila Real ou das estações de caminho-de-ferro de Lisboa e Porto, entre outros.

Um dos maiores estúdios do país

O interesse pela fotografia terá despontado na década de 1870. Adquire a casa "Fotografia Fritz", um estúdio fotográfico na rua do Almada, que origina o seu segundo estabelecimento, a "E, Biel & Cª", no Palácio do Bolhão, que agora acolhe o teatro do Bolhão.

Depressa se transformou num dos maiores estúdios do país e em 1877 integrou a comissão encarregada de preparar a participação da cidade do Porto na Exposição Universal de Paris de 1878.

A par do trabalho de estúdio, como retratista, a casa Biel iniciou a atividade de edição fotográfica através da fototipia, um processo fotomecânico que Biel aprendeu com Carlos Relvas. Os seus trabalhos com este processo iniciaram-se com a edição de "Os Lusíadas", em 1880, destinada a assinalar o tricentenário da morte de Camões.

Entre as muitas obras da responsabilidade da casa Biel estão a obra em oito volumes intitulada "A Arte e a natureza em Portugal", "Album Phototypico de visitas e Costumes do Norte de Portugal", ou os álbuns que documentam a construção dos caminho-de-ferro em Portugal, em particular as linhas do Douro, Minho e Beiras. 

Com o eclodir da I Guerra Mundial, Biel abandona Portugal e os seus bens são confiscados pelo Estado em 1916, já após a sua morte, ocorrida em 1915 . Grande parte daqueles bens foi anos mais tarde vendida em hasta pública.

A exposição estará aberta ao público até 21 de setembro, com entrada livre, de segunda a sexta-feira das 9h30 às 17h e aos fins de semanas das 9h30 às 12h30 e das 14h às 17h.