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Armando Vara fica em prisão domiciliária

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LUIS EFIGENIO / NFACTOS

Ex-governante do PS foi indiciado por três crimes. É o nono arguido da Operação Marquês

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Editor de Sociedade

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Armando Vara vai ficar em prisão domiciliária com pulseira eletrónica.

Em comunicado, a PGR anuncia que após promoção do Ministério Público, o juiz decidiu aplicar ao arguido as medidas de coação de obrigação de permanência na habitação sujeita a vigilância eletrónica e de proibição de contactos, designadamente com os restantes arguidos no processo.

"O arguido foi indiciado por factos susceptíveis de integrarem os crimes de corrupção passiva, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais", lê-se no documento.

A medida de coação aplicada ao ex-governante foi conhecida depois de quatro horas de interrogatório, esta sexta-feira à tarde.

O ex-ministro foi ouvido pelo MP e pelo juiz Carlos Alexandre no Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, após ter sido detido na quinta-feira por suspeitas dos crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais.

Vara está a ser investigado no âmbito da Operação Marquês sobre os negócios relativos a Vale do Lobo, no Algarve. Há suspeitas de que favoreceu este empreendimento quando era administrador da Caixa Geral de Depósitos.

Trata-se do mesmo processo que conduziu José Sócrates à prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Évora, em novembro do ano passado. O antigo primeiro-ministro é neste momento o único dos nove arguidos da Operação Marquês que está preso numa cadeia.

Os outros arguidos do caso são o empresário Carlos Santos Silva, o administrador do grupo Lena Joaquim Barroca, o ex-motorista de Sócrates João Perna, o administrador da farmacêutica Octapharma Paulo Lalanda de Castro, a mulher de Carlos Santos Silva, Inês do Rosário, o advogado Gonçalo Trindade Ferreira e o presidente da empresa que gere o empreendimento de Vale do Lobo, Diogo Gaspar Ferreira.

Esta tarde, os advogados de defesa de José Sócrates emitiram uma nota de esclarecimento, na qual indicam que o ex-primeiro-ministro "não tem qualquer tipo responsabilidade, participação ou contributo em qualquer ato que seja sequer suspeito de ter beneficiado diretamente quaisquer interesses privados, designadamente do empreendimento Vale do Lobo ou dos seus proprietários ou clientes".

Indicam também ser "absolutamente falso" que alguma vez Sócrates tenha recebido vantagem "patrimonial ou financeira" e que não tem "conhecimento do relacionamento entre o referido empreendimento turístico e as indicadas pessoas [Armando Vara] e quaisquer instituições bancárias".

A PSP participou ativamente em buscas que decorreram quinta-feira em vários pontos do país, nomeadamente na sede da Caixa Geral de Depósitos, da qual Armando Vara foi administrador. As diligências decorreram em coordenação com o Departamento Central de Investigação Criminal (DCIC).

A PGR confirmou quinta-feira em comunicado que decorreram "buscas domiciliárias em instalações de sociedades e numa instituição bancária", levadas a cabo pelo Ministério Público, a Autoridade Tributária e PSP.

O ex-governante passou a noite no comando de Moscavide da PSP, tendo saído ao meio-dia de sexta-feira para ser ouvido por Carlos Alexandre.

Em setembro do ano passado, Armando Vara foi condenado a cinco anos de prisão efetiva no âmbito do processo Face Oculta por três crimes de tráfico de influências. O advogado de Vara neste caso, Tiago Rodrigues Bastos, é o mesmo que o defendeu durante o processo Face Oculta.

Campiso Rocha