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Testes de Cambridge vão contar para a nota dos alunos do 9º ano

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FOTO MIGUEL A. LOPES/LUSA

Escolas é que vão decidir o peso na avaliação. Quase dois terços dos estudantes não alcançaram este ano o nível que é suposto atingir no final do 9º

A hipótese já tinha sido falada e é agora posta em prática. A partir do próximo ano letivo, os testes de Cambridge que os alunos do 9º ano começaram a fazer há dois anos vão ter de contar para a sua classificação final. Mas caberá às escolas decidir que peso querem atribuir a essa avaliação externa e como farão a equivalência entre duas escalas de avaliação que são diferentes

O anúncio foi feito esta quarta-feira pelo ministro da Educação, Nuno Crato, durante a apresentação dos resultados do Preliminary English Test, a prova concebida pelo Cambridge English Language Assessment, que integra a Universidade de Cambridge, e que foi realizada este ano por cerca de 85 mil alunos.

A prova escolhida apresentava um nível de dificuldade superior ao de 2013/14. Os resultados mostram uma melhoria global, mas também que as dificuldades persistem para muitos. Praticamente 62% dos alunos do 9.º ano ficram pelos níveis A 2 ou inferior (a escala utilizada é a do Quadro Europeu de Referência para as Línguas). Por outras palavras, quase dois terços não alcançaram o nível que é suposto atingir no final do 9.º ano e que está contemplado no currículo da disciplina de inglês e respectivas metas curriculares.

Ainda assim, lembrou Nuno Crato, o panorama foi bem mais positivo este ano. Em 2014, quase metade dos alunos do 9º ano apresentou um nível de inglês muito fraco ou apenas elementar. Este ano, aconteceu com 26%. Quanto ao nível B 1, o equivalente ao final do 3º ciclo do básico, foi alcançado por 29% dos estudantes (contra 17% em 2014). A estes juntam-se 9% que tiveram mais de 90 pontos na prova e que têm um domínio de inglês de nível B 2, o equivalente a um First Certificate.

Governo vai ter se assumir custos

O teste de Cambridge é obrigatório para os estudantes inscritos no 9º ano e facultativo para os restantes níveis de ensino. Os alunos que quiserem ter o certificado com o respeito nível de conhecimentos demonstrado têm de pagar 25 euros, estando isentos os que são apoiados pela ação social escolar. 

Até agora, o dinheiro pago pelos certificados (muito abaixo dos preços praticados nas escolas de língua) e uma parceria com empresas privadas têm permitido que toda esta operação não tenha custos para o Estado Português. No entanto, o número reduzido de certificados pedidos este ano e a saída de algumas empresas obriga a repensar o modelo, admitiu o presidente do Instituto de Avaliação Educativa, Hélder de Sousa.

De acordo com Hélder Sousa, apenas 19 mil dos mais de 85 mil que realizaram o Preliminary English Test pediram o certificado. Sendo certo que, entre os que não pagaram, 22 mil teriam direito a diploma de nível B1 ou B2.

"Vamos ter de repensar a filosofia do modelo e admito que já este ano o Estado tenha de assumir alguma comparticipação. Mas é um investimento que vale a pena pelo retorno que pode trazer para a economia ter uma faixa etária completa de jovens certificados como falantes de inglês."