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Roteiro para corrigir um engano: as razões para Sara Carbonero desejar o Porto

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Claudio Villa/Getty

Mulher de Casillas terá desdenhado trocar Madrid pela cidade do Porto, mas o Expresso mostra como a espanhola está enganada e mal informada quanto aos encantos da Invicta

A notícia correu célere e tem estado a ser muito partilhada nas redes sociais. Ao que parece, e a fazer fé nos textos publicados por uma ou outra publicação espanhola, a jornalista da "Tele 5" ter-se-á manifestado contrariada ante a hipótese de ter de passar a viver no Porto. Embora em nenhum momento Sara Carbonero apareça citada com declarações em "on", passou a ideia de que consideraria uma despromoção mudar-se para o Porto, cidade à qual faltaria o "glamour" que diz encontrar em Londres.

Está enganada. O Porto, como diria o ministro Portas, está a "bombar". A prova é dada todos os dias pelos milhares de turistas, grande parte deles espanhóis, que calcorreiam as ruas da cidade, enchem hotéis, hostels, pensões, bares, restaurantes e tascas "gourmet".

Para não se julgar que tudo isto são apenas estados de alma, vamos aos factos. Em 2012 e em 2014, o Porto foi eleito melhor destino europeu à frente de cidades como Londres (hello,.Carbonero), Paris ou (quem diria?) Madrid.

Mas vamos admitir que Sara é tão bela quanto cética. Aqui fica, por isso, o convite para nos acompanhar num pequeno roteiro diurno e noturno pela cidade. A proposta é mostrar-lhe apenas alguns espaços - históricos, contemporâneos ou nem uma coisa nem outra -, mas muito alternativos, pelos quais passa muito do que é hoje a identidade da Invicta.

Rui Duarte Silva

O Porto é "cool", dizia o Expresso no título de um trabalho que foi capa da Revista há um ano. A diferença, dado o tempo que passou, passa apenas pela constatação de que está cada vez mais "cool".

Vejamos, Sara Carbonero podia começar por tomar o pequeno-almoço no Café Majestic ou, se preferir um ambiente mais tranquilo, na Casa de Chá de Serralves. Aí teria duas hipóteses: ou mergulhava logo de seguida no frenesim da disputadíssima rua de Stª Catarina ou deixava-se levar pelo apelo da natureza e da arte com uma visita aos jardins e ao Museu de Serralves.

Até ao final da manhã teria ainda tempo para dar uma olhada à livraria Lello, descer à agora transformada e aliciante rua das Flores, que desemboca no largo de S. Domingos como antecâmara da Ribeira.

Até se admite que o Palácio da Bolsa, e em particular o Salão Árabe, não seja a sua praia. Por isso, antes de comprar bilhete para um pequeno passeio no Douro, entre as cinco pontes, talvez fosse boa ideia tomar um aperitivo na deslumbrante esplanada da ponte Pênsil, mesmo ao lado do tabuleiro inferior da Ponte Luís I.

D.R.

Dispensa-se, por hoje, a visita às caves de vinho do Porto, porque a hora de almoço aperta. Se atravessar para o outro lado do rio, pode ir ao restaurante do hotel Yeatman, com uma impagável vista sobre o rio e a cidade que acolhe Casillas, onde a aguardará o menu concebido por Ricardo Costa, um chefe com estrela Michelin. Se não quiser atravessar a ponte, um táxi levá-la à à Foz, ao restaurante do também estrelado Pedro Lemos, famoso pelos seus almoços de degustação. Se o verde dos seus olhos não resistir ao apelo do mar, há uma proposta irrecusável: a Casa de Chá da Boa Nova, uma das obras maiores do Pritzker de arquitetura Álvaro Siza Vieira. A cozinha está a cargo do chefe Rui Paula.

Os espanhóis, diz o lugar-comum, gostam da sesta. Talvez Sara não alinhe nesse desporto nacional e prefira um descanso ativo no Parque da Cidade, o maior parque urbano do país e um dos poucos no mundo a ter uma frente marítima. Juntaria o útil ao agradável, uma vez que, caso se faça acompanhar do filho Martin, terá ali muito espaço de liberdade e sem perigos.

À saída do Parque entra na avenida da Boavista, já agora a maior do país, e poderá desembocar na Casa da Música, uma joia da arquitetura internacional desenhada por outro Pritzker de arquitetura, o holandês Rem Koolhaas.

Messias Delmar

Como terá muito tempo para ir ao Dragão, outra visita essencial da cidade, desta vez poderá explorar toda a zona da Torre dos Clérigos, café Piolho, Praça de Lisboa, comer um "éclair" na Leitaria Quinta do Paço ou, se não estiver para doces, dar mais uns passos até ao mais secreto e ao mesmo tempo mais procurado dos bares da cidade: o Aduela, na rua da Oliveira, frente ao teatro Carlos Alberto, onde se servem deliciosos petiscos. Se chover, tem as renascidas galerias Lumière, onde está a única livraria do país integralmente dedicada à poesia e ao teatro, a Poetria.

Com o aproximar do fim da tarde, não será má ideia abancar na Champanheira da Baixa, no Largo Monpilher, e deixar-se levar pelos sabores de uma boa sangria. Se for dada à fotografia, há dois ou três pontos obrigatórios: atravessar a ponte Luís I a pé e deixar que o olhar se perca nos encantos da Ribeira ou do cais de Gaia, subir à renovada Torre dos Clérigos e espreitar o casco histórico. Se descer aos detalhes, tem as fascinantes histórias contadas pelos azulejos da estação de S. Bento ou da Capela das Almas.

Para jantar, o difícil está na escolha do espaço onde provar uma francesinha, eleita este ano uma das dez melhores sandes do mundo pelo site britânico "The Culture Trip", bem como pela prestigiada revista espanhola de viagens “Condé Nest Traveller”.

rui duarte silva

O Porto é muito mais que um só dia e, por isso, o que aqui fica é apenas uma amostra. Que poderá ser abrilhantada ainda com um fim de noite passado na zona dos bares, sobretudo nas ruas Galeria de Paris e Cândido dos Reis. Há bares de poncha, de gin, de sangrias, e, claro, de vinhos. São muitos e premiados, como o o Chryseia, colheita de 2011, e o tinto da Quinta do Vale Meão, ambos do Douro e que integram o "top 10" 2014 da revista americana "Wine Spectator". Para fim de boca, uma última sugestão: o vinho do Porto Dow's 2011, considerado o melhor do mundo no ano passado pela mesma revista.

E pronto. Já será tarde. Sara deve estar cansada. O Porto é uma Nação e, por isso, tendo sido rainha por um dia numa cidade que sabe acolher bem, talvez possa dormir num palácio: o do Freixo. Majestático, belíssimo, prostrado junto ao Douro. Quando acordar será outro dia e porventura já terá entretanto construído uma imagem mais azul da cidade.

Shaun Botterill/GettyImages

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