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750 professores vão ensinar Inglês aos alunos do 3º ano

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É possível em 15 anos ter todos os portugueses de uma faixa etária com uma certificação internacional em Inglês, defende o presidente do Instituto de Avaliação Educativa

A obrigatoriedade de as escolas usarem os testes de inglês de Cambridge para o cálculo da nota final dos alunos do 9º ano, anunciada esta quarta-feira pelo ministro da Educação, não é a única novidade do próximo ano letivo. O objectivo de Nuno Crato para o reforço de uma disciplina que considera fundamental, para os alunos e para o país, passa também pela obrigatoriedade do ensino do Inglês a partir do 3º ano da escola, já antecipada pelo ministro. A oferta inicia-se em setembro em todas as escolas e será dada com recurso a 750 novos professores.

Com a antecipação do Inglês obrigatório a partir do 3º ano – até aqui a disciplina estava disponível como actividade de enriquecimento curricular e era de frequência facultativa –, todos os alunos passarão a ter sete anos consecutivos de ensino do Inglês. No 3º ano, a carga horária será de duas horas por semana e no 9º ano culmina com a realização dos testes de diagnóstico e avaliação do Cambridge English Language Assessment, pertencente à Universidade de Cambridge.

Foi também Nuno Crato que os trouxe para Portugal há dois anos. Eram de realização obrigatória, mas não contavam para nota. Agora, passarão a ter um peso na classificação final dos alunos. Caberá a cada escola decidir qual e de que forma será feita a integração desta avaliação feita por uma entidade externa e que usa uma escala diferente.

Certificação em massa

A ideia é sempre a mesma: reforçar o conhecimento dos alunos nesta área, já que “um bom domínio da língua inglesa pode ser um factor relevante para o sucesso académico, pessoal e profissional”, justifica o gabinete de Nuno Crato.

O presidente do Instituto de Avaliação Educativa reforça, Hélder de Sousa, reforça. Se os testes de Cambridge continuarem a ser aplicados e se o seu nível de exigência for aumentando (o que já aconteceu este ano com o PET, de nível superior ao Key for Schools de 2014), Portugal poderia ambicionar a ser o primeiro país a ter todos os jovens com uma certificação em Inglês reconhecida internacionalmente. “Há alunos (9%) que neste teste já atingiram o nível B2 do Quadro Europeu de Referência e que corresponde ao First Certificate”, lembra Hélder de Sousa.

Como os alunos vão passar a ter Inglês durante mais anos, a médio prazo o nível do teste aplicado poderia subir até ao Proficiency (o mais alto) ou, pelo menos, ter mais jovens a atingir o nível equivalente ao First Certificate. “Este devia ser o objectivo estratégico de Portugal a atingir nos próximos 15 anos. Isso faria de nós um país completamente diferente, mais competitivo a nível internacional e com grande retorno para os agentes económicos”, argumenta o presidente do IAVE, a quem compete organizar este processo.

O  problema é que, para já, famílias e alunos não parecem muito convencidos das vantagens de ter estes certificados ou então da capacidade de os alunos atingirem os níveis de desempenho que dariam um diploma com relevância no mercado de trabalho: igual ou superior ao nível B2. Este ano, dos 85 mil que realizaram o PET, apenas 19 mil pediram o certificado, que custa 25 euros, mas que é gratuito para todos os alunos apoiados pela ação social escolar. O valor pedido fica muito abaixo do preço cobrado pelas escolas privadas de línguas, lembra Hélder de Sousa. “Esta é uma oportunidade de ter um certificado a um preço baixíssimo. E que não está acessível a muitos alunos que não moram nas principais cidades.”

Bons a falar, maus a ler

Só que os resultados dos alunos também ainda estão longe de permitir a certificação de níveis mais elevados: 62% dos alunos do 9º ano não atingiram sequer o nível de Inglês que era suposto demonstrarem no final do ensino básico (B 1). A componente da leitura foi a que causou mais dificuldades; a expressão oral melhorou em relação a 2014

A maioria (61,8%) dos alunos do 9º que realizou este ano o Prelimnary English Test (PET) de Cambridge ficou aquém do nível que era suposto atingir no final do ensino básico e que está previsto no programa e nas metas curriculares da disciplina.

O que os resultados desagregados por competências também demonstram é que, genericamente, há áreas onde os jovens se saem razoavelmente ou bem e outras onde os resultados foram bastante maus.

De acordo com os dados apresentados pelo Instituto de Avaliação Educativa, três em cada quatro alunos (77,5%) tiveram resultados “muito fracos” ou fracos” na leitura. E dois em cada três (66,9%) apresentaram classificações idênticas na componente da compreensão de textos lidos por outra pessoa.

Na Escrita as notas foram ligeiramente melhores. Mas foi na Expressão Oral que os alunos mais evoluíram: 65% demonstraram um nível de conhecimentos entre o suficiente e o excelente.