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Holandês detido com uma faca na Portela acusado de terrorismo

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Gima saltou a vedação exterior do aeroporto de Lisboa, junto às bombas da Repsol, e esteve escondido 24 horas no Radar Velho

FOTO Marcos Borga

MP suspeita que Gima Her Calunga ia realizar um atentado no aeroporto de Lisboa. O holandês, em prisão preventiva há um ano, esteve duas semanas na Síria e, segundo a acusação, recebeu formação militar da Al-Qaeda e do Estado Islâmico

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Editor de Sociedade

Gima Her Calunga, um angolano de 29 anos com passaporte holandês, foi detetado na noite de 3 de julho de 2014 pela segurança da ANA — Aeroportos de Portugal na pista da Portela, junto a um avião da TAAG, companhia aérea angolana, empunhando uma faca com 21 centímetros. Foi preso de imediato antes de o avião levantar voo e está há um ano em prisão preventiva na cadeia de Monsanto. O Ministério Público acusa-o agora de adesão e apoio a organizações terroristas e terrorismo internacional, bem como aos crimes de atentado à segurança de transporte por ar com vista ao terrorismo, posse de arma branca e introdução em lugar vedado ao público.
 
Segundo a acusação, a que o Expresso teve acesso, Gima chegou a confessar no primeiro interrogatório ter estado durante duas semanas na Síria em campos de treino da Al-Qaeda e do autodenominado Estado Islâmico, no início de 2014. E que se preparava para cometer um atentado terrorista naquele avião da companhia angolana. “O arguido agiu isoladamente e o seu modus operandi encaixa-se no perfil designado como ‘lobo solitário’, encarregue de executar sozinho uma determinada missão designada pelo grupo”, lê-se no documento redigido pelos procuradores Vítor Magalhães e João de Melo.
 
Bruno Gomes, o advogado do cidadão holandês, considera que "o processo mostra que o arguido esteve duas semanas na Síria, mas com certeza jurídica não mostra mais do que isso, e esse facto por si só, não constitui crime." E acrescenta: "A acusação por terrorismo internacional e atentado à segurança deriva das suposições do MP e não dos factos constantes do processo. Por isso,  vou levar a acusação ao Juiz de Instrução para que este pronuncie o arguido apenas por aquilo que o processo demonstra que ele fez: ter entrado ilicitamente no aeroporto com uma faca de cozinha."

Saiba mais na edição desta segunda-feira do Expresso Diário [disponível a partir das 18h]