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Centenas pedem em Lisboa um "Não" no referendo grego

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"Em causa está o princípio democrático de todo um país e uma espécie de federação muito mal pensada (...) que está a confundir zona euro com Europa", defende um dos manifestantes presentes no protesto organizada pelo grupo Solidariedade Grécia, em Lisboa

JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Portugueses manifestaram-se este sábado em defesa do "Não" no referendo de domingo na Grécia, porque acreditam que o Syriza "está a honrar o seu compromisso"

Algumas centenas de pessoas estiveram este sábado, ao final da tarde, concentradas numa manifestação em Lisboa em defesa do "Oxi" (Não) no referendo de domingo na Grécia, reclamando uma Europa solidária para com Atenas. 

Os manifestantes começaram a concentrar-se cerca das 18h30 no Príncipe Real e alguns minutos depois deslocaram-se para o largo Jean Monnet, onde se situa o edifício da Comissão Europeia em Lisboa, num percurso inferior a um quilómetro. 

Isabel Pires, uma das presentes, disse à agência Lusa que "todos os povos" que "dependem" da União Europeia "estão a sofrer da mesma maneira", e o referendo de domingo na Grécia deve ser encarado como um "gesto de coragem" do governo e do povo grego. 

A Grécia vota no domingo em referendo as propostas apresentadas pelos credores internacionais - FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu - em troca de ajuda financeira. 

Cartazes pedindo o "Oxi" no referendo foram uma constante na manifestação desta tarde, ao lado de bandeiras da Grécia e palavras de ordem contra as instituições, como o Fundo Monetário Internacional (FMI). 

Outro dos manifestantes, Manuel Morais, sublinha que os portugueses não vão votar no referendo mas o mesmo "influi sobre Portugal" e os seus cidadãos.

"Está-se a confundir a zona euro com Europa" 
O governo grego, acredita, "está a honrar o seu compromisso", e a Europa "está mal", devendo ser retomadas as negociações entre Atenas e os credores. 

"Em causa está o princípio democrático de todo um país e uma espécie de federação muito mal pensada (...) que está a confundir zona euro com Europa", vincou por sua vez Bruno Schiappa à reportagem da Lusa. 

Já Fátima Gil, na casa dos 20 anos, quis estar nesta concentração porque "a vida de milhões de pessoas reféns da 'troika' e do terrorismo financeiro está em causa". 

"Na Grécia, 60% dos desempregados são jovens", lembrou, traçando paralelismos com o desemprego jovem em Portugal. 

Os manifestantes chegaram cerca das 20h00 ao edifício da Comissão Europeia em Lisboa, fechando a jornada de luta depois da intervenção de alguns cidadãos.