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Sociedade

Preço da água no Porto em risco de aumentar 40%

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Lucília Monteiro

Rui Moreira escreve carta aos munícipes a alertar para as consequências da fusão de empresas imposta pelo Governo 

A acompanhar a próxima fatura relativa aos consumos de água, os moradores do Porto receberão uma carta assinada pelo presidente da Câmara Muncipal, na qual Rui Mopreira alerta para "o enorme aumento do preço que a água sofrerá no município caso o Governo concretize o processo de fusão das águas em curso". 

O diferencial de preço pode atingir os 40%, assegura Moreira. Este é o resultado, diz, de o Governo impor "à força a fusão das empresas que vendem água aos municípios, extinguindo a Águas de Douro e Paiva", de que a Câmara é acionista. 

Os municípios são detentores de 49% do capital social da Águas do Douro e Paiva. Rui Moreira sustenta que a extinção da empresa contra a vontade das autarquias "é ilegítima e o processo de fusão não cumpre nenhum dos objetivos enunciados pelo Governo para fundamental a decisão". 

Desde logo, assegura o autarca portuense, "é falso o pressuposto invocado de que a nova empresa poderia criar sinergias que levassem à poupança de dinheiros públicos e à redução futura das tarifas". 

Falsos argumentos
Moreira explica que os municípios integrados na Águas de Douro e Paiva pagarão para o sistema global "mais 38 milhões de euros do que atualmente (mais 40%), só nos próximos cinco anos". Em contrapartida, "os ganhos para os restantes municípios não ultrapassam os 24,5 milhões". Resuta daqui, prossegue, que o novo sistema, em vez de criar poupança, "implicará, em cinco anos, o desperdício de 13,5 milhões de euros". 

Moreira classifica ainda como falso o argumento de que esta será uma forma de uniformizar tarifas em benefício do interior, que teria a água mais cara. A verdade, prossegue, é que "a água nos municípios do litoral custa quase o dobro, em média, do que no interior. A fusão não cumpre, por isso, nenhum princípio de solidariedade, prejudicando todos os municípios e provocando aumentos a todos os munícipes, independentemente de onde vivam". 

Rui Moreira enumera ainda vários razões políticas e de princípio colocadas em causa "nesta fusão que o Estado Central está a impor aos municípios e aos seus munícipes". Trata-se, conclui, de "um processo unilateral, decidido contra o poder local" e contra "a tão propagandeada descentralização de competências".