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No ensaio geral para receber Eusébio

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Campiso Rocha

Há já vários dias que a zona do Panteão, em Lisboa, se transformou para receber Eusébio na sua última morada. O estacionamento está condicionado desde terça-feira e a GNR tem vindo a ensaiar a cerimónia, que terá um momento complicado devido a uma ponte com piso estranho quase a chegar ao Panteão

“Não foi perfeito mas foi melhor”, diz aos seus homens o major Luís Gomes Ferreira, responsável pela Unidade de Segurança e Honras de Estado, que vai participar esta sexta-feira na cerimónia de trasladação de Eusébio da Silva. É a décima vez que os seis elementos da GNR encarregados de transportar a urna do ex-jogador sobem os degraus de acesso ao Panteão, em Lisboa, no ensaio geral que decorreu entre as 17h e as 18h30. Atrás deles segue um elemento feminino da guarda com as três condecorações que o Pantera Negra recebeu ainda em vida: a medalha de prata da Ordem do Infante D. Henrique, entregue por Américo Thomaz em 1966; a Grã-Cruz, em 1992, por Mário Soares; a Grã-Cruz da Ordem de Mérito, em 2004, por Jorge Sampaio.

Nas redondezas, a assistir de perto, estão os moradores mais curiosos da zona da Graça e alguns estrangeiros, apanhados de surpresa com tal aparato. Sylvie Cook e Eric Bernard sentaram-se na relva e fizeram uma pesquisa no telemóvel. “Sei quem ele é, mas não sabia desta cerimónia”, diz o francês de 44 anos, enquanto Sylvie revela que quem vai ficar satisfeito quando souber o que a filha viu é o pai, grande fã de futebol. Ao lado, a foto gigante a preto e branco de Eusébio que cobre a lateral de um edifício serve de pano de fundo para as fotos tiradas pelos turistas que passam pelo largo de tuk tuk.

Campiso Rocha

Caixão pesa quase 150kg

Os militares da GNR que transportam a urna foram escolhidos a dedo, “tendo em conta a sua envergadura física”, nomeadamente a semelhança em altura para que não houvesse grandes desequilíbrios. Até porque o caixão com o corpo do King “pesa quase 150kg”, acrescenta o major. 

Além destes elementos vão estar no panteão à espera do corpo “seis velas de câmara ardente”, isto é, seis homens da GNR, cada um deles a empunhar um sabre. “Os ensaios já começaram há muito tempo”, diz, antes de sublinhar que estarão presentes ainda um conjunto de 30 sentinelas honorificas a formar uma ala de honra, mais 30 elementos da banda da GNR, que tocarão o hino nacional, e um terno de clarins que fará soar a homenagem aos mortos quando o caixão for colocado ao lado de Aquilino Ribeiro.

Mas antes da urna com o corpo de Eusébio da Silva Ferreira chegar ao Panteão haverá dois momentos distintos no cortejo. Na primeira parte do percurso, desde o cemitério do Lumiar até ao Parque Eduardo VII, a urna será escoltada por 25 motos. A partir dali, o corpo do ex-jogador passa a ser transportado por uma charrete, puxada por quatro cavalos, que será escoltada por 75 militares a cavalo.

“No caminho, que é feito com a escolta a cavalo, há um ponto critico, a ponte na Ribeira das Naus. Por isso, já lá fomos com os cavalos, ensaiar a passagem da ponte para lá e para cá, para que esta sexta eles não se assustem com aquele piso, que é um pouco diferente”, conclui o major.

Da parte da PSP estão convocados cerca de 500 elementos, que zelarão pela segurança e alterações ao trânsito.

Campiso Rocha

  • A caminho da última morada

    O corpo de Eusébio da Silva Ferreira faz amanhã a sua última viagem, do cemitério do Lumiar para o Panteão Nacional. O cortejo fúnebre deverá desfilar por entre um mar vermelho de gente, benfiquistas e não só