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Morreu um dos homens que mudaram a forma como comunicamos

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A ideia apareceu-lhe em 1984, a concretização só aconteceu oito anos depois. O obituário de Matti Makkonen, que nos deu os SMS

Luís M. Faria

Jornalista

Matti Makkonen era um daqueles homens de cuja existência a maioria das pessoas - digamos, 99,999% da população - só toma conhecimento no dia em que morrem. Foi o inventor dos SMS. Na verdade, ele próprio dizia que se tratara de uma criação coletiva e nunca procurou fama. Mas a ideia original foi realmente dele.

Teve-a em 1984, quando se achava numa pizzaria com colegas (Makkonen era engenheiro) durante uma conferência em Copenhaga. Na altura, o conceito não pegou. Os telefones móveis eram um brinquedo caro, utilizado sobretudo por homens de negócios e serviam apenas para falar. Tão pouco estimadas eram as mensagens de texto que mesmo quando a possibilidade foi criada - a partir de 1992 - inicialmente não se cobrava pelo serviço.

O primeiro SMS, para que conste, foi enviado por um inglês. Era uma mensagem a desejar "Feliz Natal". O mercado foi crescendo, mas durante uns anos não foi levado a sério. Foram os estudantes, em especial os liceais, com o seu hábito de 'textar' compulsivamente, que demonstraram ao mercado o potencial dele. Segundo Makkonen, a explosão decisiva foi quando a Nokia tornou muito fácil a escrita de SMS.

O resto é história. Sabemos que hoje em dia são enviados milhares de milhões de mensagens por dia. O SMS está a ser ultrapassado pelas mensagens instantâneas de aplicações como o Snapchat e o WhatsApp, mas o SMS ainda é muito mais rentável do que eles.

Quem nunca enriqueceu com a invenção foi Makkonen - pois nunca registou a patente. Ao longo dos anos, ocupou postos seniores em organizações e empresas de telecomunicações, incluindo a Nokia e a Tele Finland. Relutante à fama, os obituários não contam a sua vida, e entrevistas existem poucas (deu uma há uns anos à BBC. Via SMS, claro...). Parece que nos últimos anos, pelo menos, vivia sozinho. Morreu agora, no momento em que se reformava, após uma doença que foi descrita - de forma concisa, misteriosa e algo pleonástica - como "séria".