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São raros os leites para bebé que não incluem transgénicos

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A Plataforma Transgénicos alerta que "as pessoas têm de decidir o que querem dar aos seus filhos nos primeiros anos de vida e precisam de saber as opções que têm"

JEAN-SEBASTIEN EVRARD / AFP / Getty Images

Só três marcas de leite infantil não incluem a presença de elementos transgénicos na sua cadeia de produção, alerta a Plataforma Transgénicos Fora

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

"A maior parte dos leites infantis à venda em Portugal é proveniente de uma cadeia de produção que envolve animais alimentados com rações transgénicas", afirma a Plataforma Transgénicos Fora,  num comunicado tornado público esta segunda-feira. 

O objetivo é informar os consumidores sobre como podem evitar ingerir elementos transgénicos, mesmo quando estes não constam dos rótulos dos produtos. 

É que as regras da rotulagem só obrigam a identificar a presença de organismos geneticamente modificados (OGM) quando estes se encontram no produto final. E essa obrigação não se estende à cadeia de produção, nomeadamente ao que comeram as vacas antes de delas se tirar o leite. 

Da produção convencional com base no leite de vaca, "apenas a marca Miltina (da empresa alemã Humana) pode garantir que os animais são alimentados exclusivamente a pasto e rações livres de transgénicos", afirma Margarida Silva, dirigente da Plataforma. Além desta, juntam-se à lista "limpa" as marcas de produção biológica Holle e a Babybio, "que garantem por definição a não utilização de rações transgénicas na alimentação animal", ou a Alpro Soya, 100% vegetal, cuja rotulagem não inclui OGM. 

A Plataforma, que envolve um conjunto de organizações não governamentais de ambiente e da agricultura (como a LPN, a Quercus, o Gaia ou a Agrobio) inquiriu as marcas mais conhecidas de produção convencional - entre as quais a Nutribén, Milupa, Nestlé, Mimosa, Milkid, Nutrilon, Aptamil, Bledina, Novalac, Enfalac, Nan e Nidina  - e concluiu que "nenhuma está em condições de garantir que os animais são alimentados sem recurso a rações transgénicas". 

Informação inédita
"Esta é a primeira vez que esta informação chega aos consumidores", garante Margarida Silva. O movimento não quer criar nenhum alarme, mas apenas informar os cidadãos interessados, já que somos um dos Estados-membros onde a população se revela menos informada sobre OGM, segundo um eurobarómetro recente. "Por isso não há pressão sobre o mercado", garante a ambientalista, que reconhece que "só com um esforço muito grande e aumento substancial da procura, é que os produtores de leite conseguiriam garantir que os animais não comem rações transgénicas".  

Na ronda feita pela Plataforma junto das marcas "a ideia que fica é que os maiores produtores de leite consideram que este não é um assunto importante", explica Margarida Silva, lembrando que a Autoridade Europeia da Segurança Alimentar (EFSA) não reconhece qualquer problema no consumo de OGM.  

Um estudo recente,  desenvolvido por uma equipa da Universidade de Nápoles e citado no comunicado da Plataforma, "detectou perturbações no colostro do primeiro leite produzido pós-parto em cabras alimentadas com soja transgénicas", e que "as crias apresentavam menos peso ao fim de um mês que as das cabras do grupo de controle". Por isso, os ambientalistas defendem o princípio da precaução.  

"Não conseguimos ter garantias de risco zero e estamos longe de demonstrar uma relação de causa-efeito, mas as pessoas têm de decidir o que querem dar aos seus filhos nos primeiros anos de vida e precisam de saber as opções que têm", conclui Margarida Silva.