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E ao fim de quase três meses, a cria saiu do ovo

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Nasceu o primeiro abutre-negro no Alentejo em 40 anos. Em finais de março, surgiu a boa nova de que um casal da espécie em risco de extinção tinha posto um ovo. Este eclodiu agora 

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

LPN

A Herdade da Contenda, no concelho de Moura, tem agora um novo inquilino. Um dos ovos postos por um de dois casais de abutre-preto, que ali nidificaram pela primeira vez em 40 anos, acabou por eclodir recentemente. 

O anúncio foi feito pela Liga para a Proteção Natureza (LPN), para quem "este nascimento confirma o tão aguardado início do restabelecimento de um núcleo reprodutor desta ave no sul de Portugal". 

Desde março que os técnicos do projeto LIFE “Habitat Lince Abutre” - coordenado pela LPN, com a colaboração da empresa municipal que gere a herdade - monitorizavam o ninho onde houve postura. Dois dos 30 ninhos artificiais ali construídos no âmbito do projeto Life tinham sido escolhidos por duas das parelhas desta ave necrófaga e gregária que voam por ali. 

Como os abutres gostam de formar colónias e são fiéis ao sítio onde nasceram, a nova cria dá um novo alento ao projeto de conservação desta espécie, "Criticamente em Perigo", e "marca o início do restabelecimento de um núcleo reprodutor da espécie no Alentejo, fundamental para a recuperação do abutre-preto em território nacional", afirma a LPN no seu comunicado. 

O Tejo Internacional e o Douro Internacional são as duas outras regiões onde o abutre-preto voltou a nidificar com sucesso em Portugal, desde 2010. No Tejo há 12 casais a nidificar e no Douro apenas um. O Alentejo tem agora dois casais reprodutores, um dos quais já demonstrou ser bem-sucedido.  

A maior ave de rapina da Europa, que pode chegar a 2,80 metros de envergadura e 13 quilos de peso, tem um papel fundamental de limpeza de animais mortos nos campos, contribuindo para a salvaguarda da saúde pública.