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As explicações de uma mãe que sufocou oito recém-nascidos

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Caso tem contornos sombrios e está nas mãos da Justiça francesa. Julgamento já está em curso

Dominique Cortez revelou esta quinta-feira em tribunal que tinha medo que os filhos fossem resultado da relação de incesto que mantinha com o seu pai. Por outro lado, referiu que nunca tentou abortar nem usar métodos contracetivos porque tem medo de médicos. Afirmou também que “matar as crianças tornou-se o seu método contracetivo”.

Tais pensamentos e decisões só são possíveis porque, como garante o seu advogado Frank Berton, Cortez é uma mulher “abatida e cansada”, que se encontra num “estado de confusão mental”. 

Quanto tinha oito anos, Dominique Cortez, atualmente enfermeira auxiliar, foi violada pelo próprio pai, algo que se repetiu com regularidade ao longo dos anos seguintes. Mais tarde, já adulta, encetou uma relação voluntária de incesto com o pai, por quem se apaixonou. Casou entretanto, mas manteve em segredo a relação com o progenitor, que durou até ao ano da morte do pai, em 2007. Teve dez filhos, oito dos quais matou à nascença.

Como é que terá conseguido ficar grávida oito vezes e matado os filhos sem que ninguém reparasse? Uma das teses refere que a enfermeira terá escondido as gravidezes com o facto de ser obesa. Tanto o marido como os seus dois filhos vivos, os irmãos, os vizinhos e os colegas de trabalho relatam nunca terem reparado.

Os corpos dos bebés foram encontrados em 2010, em Villers-au-Tertre, uma pequena vila com cerca de 700 habitantes no Norte de França. Os novos proprietários da casa encontraram um esqueleto embalado em sacos de plástico enquanto faziam obras no jardim. Avisaram as autoridades, que encontraram um segundo corpo. Como Cortez era a antiga proprietária, a polícia interrogou-a - acabou por confessar que tinha guardado mais seis corpos na garagem da sua casa. Foi detida, ao contrário do marido, que alegou nunca ter reparado nas oito gravidezes. 

Ao longo dos próximos dias, o tribunal vai ouvir Dominique Cortez e várias testemunhas, como peritos forenses, investigadores da polícia judiciária, o seu marido, os filhos e os irmãos. O veredicto é anunciado na próxima quinta-feira - Dominique Cortez arrisca prisão perpétua.