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Lesados do BES demarcam-se das ameaças e agressões aos trabalhadores do Novo Banco

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António Cotrim / Lusa

Comissão de trabalhadores do banco fala em “vestes rasgadas, empurrões, insultos e demais ameaças” e “atentado contra a integridade física e psicológica”

A Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial (AIEPC) demarcou-ser esta terça-feira das ações desenvolvidas por indivíduos que, na quinta-feira passada, ameaçaram e agrediram funcionários do Novo Banco durante um protesto junto às instalações da instituição, em Lisboa.

Em comunicado assinado pelo presidente da associação, Ricardo Ângelo, a AIEPC diz que "repudia todo e qualquer ato de violência e tudo tem feito para que os legítimos atos de protesto pelo não cumprimento das obrigações anteriormente assumidas pelo Novo Banco e pelo Banco de Portugal corram da máxima ordem e estrita legalidade".

Na quinta-feira, um grupo de lesados do papel comercial do Grupo Espírito Santo (GES) vendido aos balcões do Banco Espírito Santo (ex-BES, agora Novo Banco) manifestou-se junto ao Novo Banco, chegando mesmo a atingir os trabalhadores com ameaças e agressões.

Já na sexta-feira, a comissão nacional dos trabalhadores do Novo Banco veio, em comunicado, repudiar as ações de protesto do "alegado grupo de 'lesados' do papel comercial" que pretendia, "à míngua de outras razões, transformar os trabalhadores do Novo Banco em bodes expiatórios de suas frustrações e de eventuais culpas alheias". 

A comissão de trabalhadores acusou as pessoas que participaram nos protestos de atentarem "contra a integridade física e psicológica" dos colegas, falando em "vestes rasgadas, empurrões, insultos e demais ameaças", impedindo a entrada dos trabalhadores nos seus locais de trabalho. 

Perante esta situação, a associação de lesados do papel comercial do GES acrescenta que "o desespero das pessoas que perderam todas as suas poupanças de uma vida, ainda que não seja justificativo de nenhum ato, é, contudo, a sua razão de ser e sempre a AIEPC alertou as autoridades financeiras - tal como o próprio Novo Banco - acerca da necessidade de se encontrar uma solução o quanto antes para este problema antes que algo mais grave numa extrema exasperação possa ocorrer".

A AIEPC faz questão de frisar que partilha com a comissão de trabalhadores do Novo Banco a "direta responsabilização" que é feita ao governador do Banco de Portugal e aproveita para pedir aos trabalhadores "que denunciem de forma clara, direta e sem rodeios as ditas 'ordens superiores' que eram dadas aos trabalhadores do Novo Banco e os moldes efetivos em que a venda enganosa do papel comercial foi feita à esmagadora maioria dos clientes associados da AIEPC".

Assim, Ricardo Ângelo solicita uma reunião formal com a comissão trabalhadores do Novo Banco "com vista à articulação das medidas que se entenderem úteis na busca de uma solução justa que a todos os envolvidos interessará".

O Novo Banco disse na quinta-feira que vai exigir "por todos os meios legais" o apuramento das responsabilidades dos participantes nos protestos dos clientes lesados do papel comercial que acusa de terem agredido verbal e fisicamente colaboradores do banco.

Já no início de maio, o Novo Banco tinha emitido um comunicado no qual admitia adotar "medidas legais" contra o comportamento dos lesados do papel comercial de sociedades do GES.

A 03 de agosto de 2014, o Banco de Portugal tomou o controlo do BES após a apresentação de prejuízos semestrais de 3,6 mil milhões de euros, separando a instituição em duas entidades: o chamado "banco mau" (um veículo que mantém o nome BES e que concentra os ativos e passivos tóxicos do BES, assim como os acionistas) e o banco de transição, que foi designado "Novo Banco".