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Sociedade

Liceus históricos deixados a cair

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Tiago Miranda

Camões, em Lisboa, 
e Alexandre Herculano, no Porto, precisam de uma intervenção urgente, mas não há data para as obras

Escolas com pouco mais de 20 anos receberam um investimento de milhões de euros em obras profundas realizadas pela Parque Escolar, mas dois dos mais antigos e emblemáticos liceus do país, classificados como monumentos de interesse público, ficaram de fora do programa de requalificação. Morreram na praia. As obras no Liceu Camões, em Lisboa, e no Alexandre Herculano, no Porto, ambos com mais de um século, estavam em vias de adjudicação quando o ministro Nuno Crato decidiu suspender todos os concursos, em 2011.

Sem nenhuma intervenção até hoje, nem qualquer perspetiva de que venha a acontecer, as duas secundárias históricas continuam a degradar-se de dia para dia, com tetos a cair, vidros partidos, infiltrações, campos de jogos inoperacionais e salas de aulas onde chove e onde no inverno faz mais frio do que na rua.

“Qualquer dia há aqui um desastre. A estrutura está muito débil”, alerta João Jaime Pires, diretor da secundária de Camões, frequentada por 1700 alunos. O ginásio onde, em 1958, decorreu o grande comício de Humberto Delgado está profundamente degradado e em risco e há campos de jogos fechados por falta de condições há quase uma década.

Já há três anos, um parecer do Laboratório Nacional de Engenharia Civil apontava grandes fragilidades à estrutura do liceu, inaugurado em 1909 e onde estudaram ou lecionaram personalidades como Mário de Sá Carneiro, Aquilino Ribeiro, José Cardoso Pires ou Vergílio Ferreira. Ainda assim, não há data para as obras avançarem. “Não nos dão qualquer previsão”, adianta o diretor.

Sem resposta do ministro

A direção da escola organizou há dois anos uma gala de angariação de fundos no Coliseu dos Recreios, com atuações de atuais e antigos estudantes, e recebeu um avultado donativo de Durão Barroso, então presidente da Comissão Europeia e ex-estudante do liceu. No total, foram angariados cerca de €50 mil, que serviram para arranjar portas e janelas da fachada central. Tudo o resto continua por fazer.

No Liceu Alexandre Herculano, localizado no coração do Porto, na zona de Campanhã, a situação é idêntica. À espera de uma intervenção profunda que tarda em chegar, a escola tem tido apenas pequenos remendos, a cargo do próprio estabelecimento de ensino. “Os melhoramentos necessários foram sendo sucessivamente adiados, na expectativa de que as obras da Parque Escolar iam começar em breve, o que nunca aconteceu. Todos os anos temos feito uma exposição ao ministro da Educação para alertar para a urgência das obras, mas nem sequer recebemos qualquer resposta”, lamenta o diretor, Manuel Lima.