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Catarina Martins diz que estágios são "máquinas de exploração laboral"

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"O dia de hoje é simples: uma gigantesca derrota do Governo, a incapacidade política do ministro Nuno Crato permanecer no cargo. Ontem à noite o ministro prometeu que todos os alunos iriam realizar os exames em condições de normalidade. Hoje veio congratular-se num cenário em que três em cada dez alunos não realizaram exames. Um ministro que falha tão redondamente quando apostou tudo em pôr professores contra alunos e não conseguiu é um ministro que não tem conhecimento da realidade da escola e não tem resposta para os alunos. É portanto um ministro que não tem condições para continuar à frente do ministério. Não há nenhuma escolha que garanta realmente a equidade.". - Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda

"Há um mito urbano da criação de emprego por parte deste Governo", sublinhou a dirigente bloquista.

A porta-voz do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, afirmou hoje em Coimbra que a criação de emprego por parte do Governo é um "mito urbano", considerando o seu programa de estágios como "uma máquina de abuso e de exploração" de pessoas.

"Há um mito urbano da criação de emprego por parte deste Governo", sublinhou a dirigente bloquista, afirmando que os programas de estágios servem "para que empresas usem e descartem estagiários uns atrás dos outros".

Segundo Catarina Martins, "não se criam empregos", mas sim "abusam-se das pessoas", com os estágios a serem "máquinas de exploração laboral".

"Compreendemos que o Estado deva ter uma política pública" em torno dos estágios como forma de aprendizagem e inserção no mercado, mas esta não pode ser "uma máquina de abuso e de exploração das pessoas", apontou, recordando a proposta do Bloco de proibir o acesso de empresas a qualquer programa de estágios se não tiver contratado pelo menos metade dos estagiários que integrou.

A porta-voz do BE falava durante a sessão de encerramento da Conferência Nacional do partido, que decorreu hoje em Coimbra, e foi discutida e votada a versão final do manifesto eleitoral do partido para as eleições legislativos deste ano.

"Estamos na situação caricata em que a única força política que ainda não apresentou programa foi a coligação PSD/CDS", observou Catarina Martins, sublinhando que não será necessário os dois partidos apresentarem um programa, porque este já é conhecido: "é o mesmo de há quatro anos".

Segundo a dirigente bloquista, aquilo "que a coligação de direita tem em mente fazer não é em nada diferente do que fez até agora. Pedro Passos Coelho e Paulo Portas diziam que o seu programa era o programa da troika. Era há quatro anos e é agora".

Voltando a criticar as privatizações, as políticas de austeridade e a postura "submissa e subalterna" do Governo na Europa, Catarina Martins apontou como caminho a recuperação de empregos e salários, o resgate da democracia e a reposição dos direitos.

O BE defende a implementação de uma "revolução fiscal" que acabe com a "punição do trabalho", abatimento de 60% da dívida, com juro de 1,5% e pagamento entre 2022 e 2030, combate às remunerações "globais abusivas" de administradores de empresas, 1% do PIB para a Cultura ou a exclusividade dos profissionais no Serviço Nacional de Saúde.