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Vem aí uma nova extinção em massa. Os humanos podem ser as primeiras vítimas

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Cerca de 94% dos lêmures correm o risco de extinção

FOTO JACK GUEZ/AFP/Getty Images

A conclusão é de um estudo de três universidades norte-americanas publicado na revista "Science Advances". Em causa estão as alterações climáticas e a desflorestação, segundo os investigadores

É um estudo alarmante. Sessenta e cinco milhões de anos depois - quando os dinossauros desapareceram da Terra- , está-se a entrar numa nova fase de extinção de espécies em massa. Os seres vertebrados estão a desaparecer a uma velocidades 114 vezes superior à normal e os humanos podem estar entre as primeiras vítimas. A conclusão é de uma investigação levada a cabo pelas universidades de Stanford, Princeton e Berkeley, nos EUA, que foi publicada esta sexta-feira pela revista "Science Advances".   

“Ficámos muito surpresos com estes resultados, que são de facto maus. Se conseguir continuar, a vida vai levar muitos milhões de anos a recuperar e a nossa própria espécie deve ser das primeiras a desaparecer”, disse à BBC o principal investigador, Gerardo Ceballos, da Universidade Autónoma do México.

O estudo que teve como base a análise das taxas de extinção de seres vertebrados - através de registos fósseis e outras informações históricas-, conclui que as principais ameaças à biodiversidade são as alterações climáticas e a desflorestação.

"Nós seres humanos, somos a espécie que está a causar a extinção de todas as espécies. Isso é o mais preocupante", alerta Gerardo Ceballos.

Os investigadores avisam que são necessários esforços rápidos e enormes para travar ou desacelerar a perda das várias espécies na Terra.

"A encíclica do Papa Francisco sobre o ambiente, que foi publicada na quinta-feira, e as  intervenções de Barack Obama são sinais de esperança. Estas duas importantes figuras estão realmente a chamar a atenção para o problema", sublinha  Gerardo Ceballos.

Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza, pelo menos meia centena de animais tendem a desaparecer a cada ano, sendo que 41% das espécies correspondem a anfíbios e 25% a mamíferos. Os lêmures estão sob maior ameaça: 94% desta espécie animal corre risco de extinção.