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Exame de Matemática do 9º podia ter sido feito por alunos do 8º

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António Pedro

Sociedade Portuguesa de Matemática diz que a prova realizada esta sexta-feira era "mais simples" do que a de 2014 e que está "um nível aquém do grau de exigência adequado". As notas deverão subir, concorda a Associação de Professores de Matemática

A 1ª fase dos exames nacionais do 9º ano está concluída e, tal como aconteceu com a prova de Português, realizada na 2ª feira, também a de Matemática, feita esta sexta-feira por 90 mil alunos, foi considerada "mais simples" do que a do ano passado. A "tendência já se tinha registado de 2013 para 2014", escreve a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) no seu parecer à prova. 

A SPM considera mesmo que o exame é "realizável, em cerca de dois terços da extensão, por um aluno do 8º ano", que "não incorpora qualquer questão que permita distinguir especificamente alunos de nível 5" e lamenta que o teste não tenha incluído em algumas questões "problemas desafiantes".

Ou seja, diz a SPM, a prova "fica com um nível aquém do grau de exigência adequado ao final da escolaridade básica". E se as médias subirem, como é "expectável", tal "não permitirá extrair conclusões significativas sobre a melhoria objetiva do processo educativo".

Também a Associação de Professores de Matemática fez uma primeira aprecição ao exame do 9º ano e concluiu tratar-se de uma "prova acessível" e com algumas perguntas "pouco desafiantes". "Vários exercícios eram muito semelhantes aos de anos anteriores e testes intermédios. Na organização e tratamento de dados pedia-se apenas um tratamento algébrico, sem análise nem interpretação dos dados, que também são orientações do programa", avalia a presidente da associação, Lurdes Figueiral.

Em 2014, as notas subiram tanto a Português como a Matemática. Neste último exame, a média saltou dos 44% para os 53%.

Para Lurdes Figueiral há ainda dois aspetos que podem contribuir para uma nova subida das classificações. Logo à partida porque, ao contrário do que aconteceu no ano passado, desta vez os alunos que têm várias negativas e os que não estão em condições de passar de ano apenas realizam as provas do 9º na 2ª fase, em julho. "Sabemos que estes alunos, tendencialmente, têm resultados mais baixos." Ao ficaram de fora para já, não 'puxam' a média para baixo.

Depois, acrescenta, há alterações na distribuição das cotações que também podem ajudar a um melhor desempenho. "O peso das respostas de escolha múltipla na cotação total baixou de 35% para 18%." De que forma isso pode ajudar? "Nas perguntas de escolha múltipla, o estudante ou acerta na resposta e tem a cotação total, ou falha e tem zero. Ao dar mais peso a perguntas em que a resposta é construída, um aluno pode ganhar conseguir alguns pontos, mesmo que falhe na solução final", explica a presidente da APM.

Por estas razões, Lurdes Figueiral considera que comparações de resultados entre este ano e 2014 não devem ser feitas. O universo e a estrutura da prova alteraram-se de forma significativa, defende.