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Avanza têm questões laborais "muito complicadas" em Portugal

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Sindicatos dos Transportes lançam alerta sobre grupo espanhol que ganhou o concurso de subconcessão do Metro de Lisboa e da Carris. No início do mês, os trabalhadores da Covibus fizeram greve. Reclamam subida de salário base de 579,50 euros para 600.

A Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS) alertou hoje que o grupo espanhol Avanza, que ganhou o concurso de subconcessão do Metro de Lisboa e da Carris, tem questões laborais "muito complicadas" em Portugal.

"É uma empresa que nós, FECTRANS, conhecemos muito bem, com a qual já temos um conflito laboral. Porque é uma empresa que em Portugal, na Covilhã, tem problemas muito complicados com os trabalhadores", afirmou hoje Anabela Carvalheira, dirigente daquela estrutura sindical, em declarações à Lusa.

Em 2009, o grupo Avanza concorreu e ganhou a concessão para gerir os transportes urbanos da Covilhã, em Portugal.

No início deste mês, os motoristas da Covibus realizaram uma greve de 48 horas para reivindicarem aumentos salariais. Na altura, em declarações à Lusa, Manuel Castelão, do Sindicato dos Trabalhadores de Transporte Rodoviários e Urbanos de Portugal (STRUP) referiu que a greve era "o último recurso dos trabalhadores perante o que tem sido a irredutibilidade da empresa relativamente à atualização salarial para valores que o sindicato considerava muito razoáveis".

Os trabalhadores reivindicam que o ordenado base passe de 579,50 euros para 600 euros e pedem mais um aumento de um euro no subsídio de alimentação, enquanto a proposta da empresa apenas prevê um aumento para 588 euros e de 0,25 euros no subsídio de alimentação. O sindicalista sublinhou que a empresa integra um grupo (Avanza) com dinheiro e que tem capacidade para fazer face aos aumentos.

"O Governo com este negócio não vai poupar dinheiro ao erário público"

Apesar de ter alertado para os problemas laborais da Avanza, a FECTRANS considera que "não está em causa a escolha do governo, nem o anúncio de qual é a empresa que efetivamente quererá comprar o Metro e a Carris".

"O que está em causa para nós é a questão da concessão, leia-se privatização, que irá ser prejudicial para o erário público, para os trabalhadores e para a empresa", afirmou a dirigente sindical.

Anabela Carvalheira recordou que o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, garantiu que "não haverá aumento do preço dos bilhetes". "Mas não garante aquilo que nós denunciamos: que o governo com este negócio não vai poupar dinheiro ao erário público porque deixa de pagar indemnizações compensatórias, mas vai pagar, a título de outra rubrica, muitos milhões de euros ao concessionário", defendeu.

O resultado do concurso de subconcessão do Metro e da Carris foi hoje anunciado pelo Ministério da Economia que explicou que a escolha do grupo espanhol Avanza implica que o Estado conseguirá uma poupança anual superior a 25 milhões de euros e mais de 215 milhões de euros durante o período de concessão, que é de oito anos.

O grupo espanhol vai gerir, a partir do próximo mês as empresas lisboetas de transportes públicos Carris e Metropolitano na sequência de um concurso anunciado em fevereiro pelo Governo e ao qual se apresentaram cinco candidatos. A escolha teve como critério principal o preço, tendo o ministério da Economia adiantando que a gestão da Avanza permitirá uma poupança de 25 milhões de euros anuais ao Estado e de 215 milhões no total dos oito anos de concessão.

A empresa espanhola vai gerir as redes de mais de 600 autocarros da Carris e de mais de 300 carruagens do Metro de Lisboa nos próximos oito anos.

Criado em 2002, o grupo Avanza resultou da integração das então três principais empresas do setor de transportes rodoviários de Espanha: a Tuzsa, a Auto-Res e a Vitrasa. Ao longo dos anos foi aumentando, quer através da aquisição de outras empresas do setor, quer pela obtenção de concessões.

Atualmente, e desde há dois anos, a Avanza é detida pela mexicana ADO.