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Começa o nono mês do ano (e não é setembro, é o Ramadão)

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Ana Baião

Em todo o mundo há mais de 1,5 mil milhões de muçulmanos, em Portugal são cerca de 50 mil. Esta quinta-feira começa mais um Ramadão, o mês sagrado e da espiritualidade

O Sol vai pôr-se mais logo às 21h07. Até lá, os muçulmanos não podem comer,. nem beber – até mesmo água, nem ter relações sexuais. O ritual repete-se ao longo de 30 dias: a alvorada marca o início do jejum e o crepúsculo o fim. Esta quinta-feira, começa mais um Ramadão.

“Não comer, não beber, não ingerir nada”, diz o sheik David Munir, imã da Mesquita Central de Lisboa. Mas porquê? Por ser um mês sagrado. É o nono mês do calendário islâmico e “foi quando o profeta Maomé recebeu a primeira revelação do Alcorão [livro sagrado do Islão]”. Por isso mesmo, “também costumamos chamar o mês do Alcorão. Ramadão é nome do mês, tal como é setembro”. 

Na prática, e segundo o calendário muçulmano, as festividades começam ao pôr do sol do dia anterior da celebração do Ramadão, ou seja, ao pôr do sol desta quarta-feira. 

Para quem não está familiarizado com a tradição pode parecer uma prática algo agressiva, principalmente por, no caso do hemisfério norte, estarmos na época do tempo quente. No entanto, nem todos fazem jejum, apenas quem é “muçulmano, adulto e saudável. Todos os outros estão fora desta obrigação”.

“O jejum é pago jejuando”, assegura o Imã da Mesquita de Lisboa. Em casos extremos de pessoas que nunca conseguirão cumprir o jejum, como no caso das doenças crónicas ou dos idosos, estes têm de “dar de comer a um pobre por cada jejum que não fazem. Mas o valor do que se dá tem de ser o mesmo do que se comeria”, explica David Munir. A oferenda pode ser em géneros alimentares ou em dinheiro.

Quando o sol desaparece no horizonte, o jejum é quebrado. Há quem visite amigos, familiares ou locais de oração. 

"As mesquitas ficam mais cheias"
É principalmente nesta altura que os lugares de culto se enchem. Habitualmente, a religião muçulmana tem cinco orações diárias, com o Ramadão acrescenta-se mais uma. Pela importância da época, as pessoas vão mais à mesquita, “ficam mais cheias e frequentadas”.

O objetivo não é só físico. Os crentes devem evitar pensar nas privações a que estão sujeitos ao longo do dia e concentrarem-se nas orações e recordações de Deus. Durante o Ramadão, mais do que no resto do ano, os muçulmanos devem ser generosos e aumentar o número de leituras do Alcorão, bem como evitar todas as obscenidades e tudo o que vá contra a moral. “É um mês de grande espiritualidade”, conclui o sheik David Munir.

São mais de um e meio mil milhões de muçulmanos em todo o mundo, “não mais de 50 mil em Portugal” que esta quinta-feira dão início ao “mês da espiritualidade”.