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Ségolène Royal aconselha: parem de comer Nutella (mas já pediu desculpa)

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Justin Sullivan/ Getty Images

Conselho da ministra da Ecologia francesa pouco tem que ver com nutrição, mas com aquecimento global 

A Nutella, o famoso creme para barrar o pão feito de chocolate e avelãs, tem também na sua lista de ingredientes principais o óleo de palma. E é este o ingrediente alvo das atenções dos franceses e da ministra Ségolène Royal, em particular.

A forma de produção intensiva de óleo de palma, um ingrediente muito usado na indústria agroalimentar em todo o mundo, é uma das culturas que mais contribui para a desflorestação a nível mundial e o consequente aquecimento global. 

"A Nutella deve ser feita a partir de outras matérias-primas", afirmou Ségolène Royal no programa "Petit Journal", do Canal+, na passada segunda feira.

A Ferrero, marca italiana que produz o creme de barrar, recusou comentar as palavras de Ségolène Royal e respondeu apenas estar "bem consciente das questões ambientais" e que já assumiu "compromissos para se abastecer de óleo de palma de forma sustentável".

 A Ferrero compra quase 80% do óleo de palma que utiliza nos seus produtos na Malásia, e o restante na Papua Nova Guiné, Indonésia e Brasil. Mas esta não é a primeira vez em que os franceses se manifestam contra a produção de óleo de palma. Há dois anos e meio tentaram estabelecer um imposto de 300% sobre o óleo de palma, argumentando os perigos do consumo do mesmo, quer para a saúde, quer para o ambiente, mas a medida foi rejeitada.

Em resposta à sua homóloga francesa, o ministro do Ambiente italiano, Gian Luca Galletti, disse que planeava "jantar pão com Nutella" e pediu a Ségolène Royal "para deixar os produtos italianos em paz", discussão que rapidamente chegou ao Twitter.


As afirmações de Ségolène Royal contra o consumo excessivo de óleo de palma, e contra o consumo de Nutella em particular, iraram Galletti e deixaram verdes muitos franceses - o país consome 26% de toda a Nutella produzida globalmente pelo fabricante Ferrero.

Entretanto, a ministra já se retratou da polémia, também via Twitter.