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O que se sabe e não se sabe sobre as novas buscas ao universo Espírito Santo

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FOTO JOSÉ VENTURA

O cerco policial aperta-se a diversos ex-administradores do grupo. Está por esclarecer se haverá novos arguidos - a operação está envolta em enorme sigilo

Está a ser uma manhã agitada para os investigadores da Polícia Judiciária. Recheios de casas, escritórios, barcos, carros, dinheiro, ouro e jóias de pessoas ligadas ao universo Espírito Santo estão a ser arrestados preventivamente, numa megaoperação policial que investiga eventuais crimes de burla qualificada, fraude fiscal e branqueamento de capitais. 

As buscas decorrem em vários pontos do país em casas particulares e escritórios de ex-administradores do grupo. Algumas casas de Ricardo Salgado serão alvos dos inspetores, bem como vários imóveis de Amílcar Morais Pires e de José Manuel Espírito Santo. A informação ainda não é, no entanto, oficial.  

O Expresso sabe que uma quinta situada em Sobral de Monte Agraço que pertence a Morais Pires foi alvo destas buscas. Além dos três ex-homens fortes do universo Espírito Santo, também Isabel Almeida, ex-diretora financeira do BES, está no foco desta operação. Mas não haverá mais ex-administradores do grupo sob suspeita.

Até ao momento não foram constituídos arguidos na sequência destas buscas e o Expresso tem obtido informações contraditórias das suas fontes ligadas ao caso. Há quem assegure que não está prevista a constituição de arguidos, mas há também quem assuma que até ao final do dia pode haver formalmente novos suspeitos neste caso do universo Espírito Santo. 

No processo, o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) investiga crimes de burla qualificada, fraude fiscal e branqueamento de capitais. Esta operação vem na sequência de outras buscas realizadas há cerca de um mês, ligadas também ao universo Espírito Santo. Nessa altura, a Procuradoria-Geral da República esclareceu, em comunicado, que o arresto de bens a pessoas ligadas ao universo Espírito Santo visava impedir "uma eventual dissipação de bens" que ponha em causa pagamentos em caso de condenação. 

O Ministério Público promoveu "o arresto preventivo de bens imóveis e valores patrimoniais de outra natureza titulados por pessoas singulares e coletivas relacionadas com o denominado universo Espírito Santo", dizia o comunicado. O MP justificava a medida como "uma garantia patrimonial que visa impedir uma eventual dissipação de bens que ponha em causa, em caso de condenação, o pagamento de quaisquer quantias associadas à prática do crime, nomeadamente a indemnização de lesados ou a perda a favor do Estado das vantagens obtidas com a atividade criminosa". 

Na altura, o MP indicou que corriam 29 inquéritos, entre processos principais e apensos relacionados com o denominado universo Espírito Santo. Terão sido confiscados mais de 500 imóveis do grupo Espírito Santo e milhões de euros de produtos bancários. A maioria dos imóveis seriam propriedades da Rioforte.